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  • segunda-feira, 13 de março de 2017

    Palácio Itamaraty: "Um passeio pela história do Brasil"

    As visitas guiadas são gratuitas e podem ser feitas em inglês, francês e espanhol, com acesso à maioria dos pavimentos. O público também pode se deliciar com os jardins internos de Burle Marx, um dos pontos altos do passeio

    O Correio acompanha a visita guiada oferecida pelo Palácio Itamaraty, prédio de Oscar Niemeyer que completa 50 anos em 2017. O passeio encanta não só pela variedade de esculturas, quadros, jardins e tapeçaria, mas também pela beleza arquitetônica do edifício

    *Por Renato Alves,

    O Palácio Itamaraty encanta quem passa pela Esplanada dos Ministérios. Projetado por Oscar Niemeyer e com paisagismo de Burle Marx, o edifício também impressiona por dentro. O seu interior conserva centenas de obras de arte e mostra a complexidade e a leveza daquela que é considerada uma das maiores maravilhas da arquitetura moderna.

    O acesso ao rico acervo do Ministério das Relações Exteriores (MRE) não está restrito aos diplomatas brasileiros e estrangeiros. No dia seguinte à cerimônia oficial de inauguração do Itamaraty, em 14 de março de 1967, o prédio foi aberto ao público, tradição que permanece inalterada nesses 50 anos.

    Especializados em história, arte e arquitetura, servidores bem treinados do MRE comandam visitas todos os dias da semana. O turista estrangeiro pode agendar uma visita guiada em inglês, francês e espanhol, muitas vezes, para o mesmo dia. Tudo de graça.

    O Correio acompanhou uma visita, em um sábado, dia de maior público. Em meio a brasileiros das cinco regiões, havia quatro jovens franceses com máquinas fotográficas penduradas no pescoço. Demonstraram não entender nada do que o guia dizia em português, mas clicaram tudo o que era permitido.

    Informalidade
    A entrada é pela lateral do prédio, passando pelos jardins entre o Itamaraty e o Ministério da Saúde. Ao entrar no palácio, funcionários dão as boas-vindas e informam o horário do próximo tour. O visitante é convidado a assinar um livro de presença e dispensado de qualquer revista. Apesar da pomposidade do prédio, pode-se entrar de sandálias, saia e bermuda no fim de semana. Esses itens são vetados durante a semana.

    Após a espera em uma das confortáveis cadeiras com almofadas de couro, desenhadas especialmente para a decoração do palácio, o guia se apresenta ao grupo. A visita começa no térreo, no maior vão da América Latina. Com 2,8 mil metros quadrados, além de não ter colunas, a estrutura só tem paredes nas laterais. Esse também é um dos espaços dedicados às fotos dos visitantes. Além do vão, só em outra área aberta à visita é permitido fazer imagens no interior do palácio.

    As paredes são cobertas por alguns dos tantos painéis de Athos Bulcão espalhados pelo edifício. Todo o piso também é assinado pelo autor dos azulejos que revestem diversos monumentos da capital. Marca das suas obras, as pedras por onde andam os visitantes têm tamanhos diferentes e foram instaladas de forma descontinuada.

    A frente do vão é cercada pelos vidros que se vê da rua. Ao fundo, fica um jardim aquático de Burle Marx, com plantas da Amazônia, que amenizam o calor e a seca. No centro do salão, encontra-se a famosa escada e obras de diversos artistas. Uma delas, a escultura Ponto de Encontro, de Mary Vieira, é interativa. Qualquer um pode alterar a posição das pesadas chapas de ferro da obra.

    Mesa dos tratados
    Subindo a escada helicoidal sem corrimões, os visitantes chegam ao segundo piso. Nele, são realizadas entregas de medalhas e da Condecoração da Ordem do Rio Branco. Após essa explicação, o turista é convidado a observar a obra Metamorfose, de Franz Weissmann. Formada por placas de ferro cortadas, a escultura dá a sensação de movimento conforme o espectador anda pelo local.

    Um painel em madeira de Athos Bulcão divide o espaço com a sala dos tratados. Os detalhes coloridos (preto, vermelho e amarelo) da Treliça representam os povos que formaram o brasileiro: o negro, o indígena e o europeu. Atrás dela fica a mesa onde são firmados os acordos e tratados internacionais. Nela, a Princesa Isabel assinou a abolição da escravatura no Brasil, em 13 de maio de 1888.

    Niemeyer projetou essa sala para ficar de frente para o Ministério da Justiça (Palácio da Justiça), com vista geral graças à parede de vidro do Itamaraty. A ideia é que a Justiça brasileira testemunhe todos os tratados firmados pelo Brasil com outros países. Nesse andar ficam também o gabinete do ministro e do secretário-geral (inacessíveis aos visitantes).

    Coquetéis e jantares
    O tour segue por outra escada. Ela leva ao terceiro andar, destinado às recepções das comitivas internacionais, que podem ir de um simples coquetel a um completo jantar. Mas há muito mais do que mesas e cadeiras. Os salões desse pavimento são tomados por obras de arte brasileiras e alguns presentes oferecidos por outros países ao Brasil.

    No primeiro deles, a Sala Dom Pedro I, estão expostas uma peça de óleo sobre tela retratando a coroação do monarca, uma miniatura do Grito do Ipiranga, de Pedro Américo, a Pomba da Paz, de João Alves Pedrosa, e um dos maiores tapetes persas do mundo (70m²).

    Ao lado, fica a Sala Portinari, a maior de coquetel do Itamaraty, onde duas obras representam o Sul e o Nordeste do Brasil: Os Gaúchos e Os Jangadeiros. Há, ainda, dois anjos talhados em madeira do estilo barroco. Feitos em 1737, eles pertenciam à Igreja de São Pedro dos Clérigos, demolida para a abertura da Avenida Presidente Vargas, no Rio de Janeiro

    A sala seguinte, batizada de Duas épocas, mescla móveis do século 18, como o jogo de cadeiras da Princesa Isabel e cômodas do Barão de Rio Branco, com obras de arte contemporâneas, como A Mulher e sua Sombra, de Maria Martins.

    Contemplação
    Depois, o visitante tem um momento para descanso, de contemplação e mais fotos. O guia faz uma parada de até 10 minutos no terraço, onde ficam diversas esculturas e um jardim suspenso de Burle Marx. Dali, também se tem uma vista espetacular da Esplanada dos Ministérios.

    Em seguida, o grupo é reunido e levado à Sala Brasília, a maior do pavimento, destinada às recepções mais numerosas. Ela comporta 234 pessoas sentadas para refeições servidas com uma obra de Burle Marx em tapeçaria ao fundo e um biombo chinês da Dinastia Ming do século 14 (obra mais antiga do acervo do Palácio).

    É o ponto final do tour. Mas o guia ainda permite mais uma parada para os turistas admirarem de perto o quadro de Pedro Américo que serviu de estudo para a sua obra-prima, a gigantesca tela Grito do Ipiranga, exposta no Salão Nobre do Museu Paulista, em São Paulo, e onipresente nos livros de história do Brasil.

    Auditório
    A escada também liga o subsolo (outra área que a visita não permite conhecer), onde fica um auditório com tradução simultânea, usado em eventos com os representantes de outros países.

    Programe-se
    As visitas ao Palácio Itamaraty ocorrem todos os dias e são gratuitas:

    Dia e hora
    Durante a semana: às 9h, às 10h, às 11h, às 14h, às 15h, às 16h e às 17h.
    Nos fins de semana e feriados: às 9h, às 11h, às 14h, às 15h e às17h

    Agendamento
    É recomendável agendar a visita, pois as vagas são limitadas. Para isso, mande um e-mail para visita@itamaraty.gov.br ou ligue para (61) 2030-8051. Você precisará informar o nome das pessoas que participarão do tour e um telefone para contato.


    (*) Renato Alves – Fotos: Minervino Junior/CB/D.A.Press – Gustavo Moreno/CB/D.A.Press – Marcelo Ferreira/CB/D.A.Press – Correio Braziliense 

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