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  • quarta-feira, 12 de abril de 2017

    A praça é do povo... ...como o céu é do avião

    Parque da Cidade é um dos principais espaços públicos usados para eventos culturais, como shows, festivais e encontro de foodtrucks

    *Por » Adriana Izel

    Cada vez mais, espaços públicos do Distrito Federal são ocupados por ações culturais realizadas pelos brasilienses

    Piqueniques e festivais no Parque da Cidade, na Ermida Dom Bosco e na área externa do Museu Nacional da República, festas no Setor Comercial Sul, encontro de food trucks na Praça do Cruzeiro e shows na Torre de TV se tornaram parte da rotina da capital federal. Há alguns anos, movimentos e produtoras locais começaram a investir no uso do espaço público para o lazer da população. Dentre os objetivos está a criação de um aquecimento do centro de Brasília, uma mudança cultural.

    “Acho que é uma coisa necessária (a ocupação da rua), além de ser um direito do cidadão. Hoje se discute bastante o direito à cidade e da população de utilizar os espaços públicos. Essa questão de ocupar a cidade é uma mudança de mentalidade, que, em Brasília, é forte porque é uma cidade voltada para o carro e para o privado”, analisa Caio Dutra, um dos integrantes do Coletivo Labirinto. O coletivo, que também é formado por Raphael Sebba e Phillipe Daher, surgiu em maio do ano passado para movimentar e revitalizar o Setor Comercial Sul, uma área que sempre foi considerada marginalizada por boa parte da população.
    O coletivo MOB surgiu como um manual de ocupação de Brasília e hoje promove ações na cidade

    Para a arquiteta Júlia Solléro, uma das idealizadoras do Coletivo MOB — Movimente e ocupe seu bairro, ocupar os espaços públicos da cidade é uma forma de gerar um pensamento de coletividade nos brasilienses e trazer uma movimentação existente em diversas cidades brasileiras e internacionais. “O DF, como um todo, é muito espalhado e as dimensões muito grandes. Isso não valoriza o uso do espaço público, que é valiosíssimo. Colocar ações na rua faz com que as pessoas se identifiquem e criem apreço (e cuidado) com a rua, com a cidade”, afirma. Uma questão de pertencimento.

    O primeiro passo do coletivo foi há dois anos, quando a arquiteta criou um Manual de Ocupação de Brasília como produto de seu trabalho de conclusão de curso. O material, que continua disponível na internet, dá dicas à população de como ocupar o espaço público da cidade, que passam pela legislação e roteiro de pedido de autorização junto ao governo do DF, até sugestões de ações para fazer em locais de Brasília. “O manual reúne ideias práticas e eficazes de ocupar a rua e ter uma conexão. Depois, decidi me juntar com outras amigas (Natália Bontempo, Ana Gama Dias, Manuella Botelho e Eduarda Aun) para tocar o projeto colocando ações na rua. Assim virou MOB, movimente e ocupe seu bairro”, conta Julia.
               Coletivo Labirinto é responsável pela revitalização do Setor Comercial Sul

    A vez da rua

    Mas por que durante muito tempo os espaços públicos da capital federal ficaram inutilizados? Há diversas razões. A primeira delas está ligada à mobilidade urbana na opinião dos dois coletivos. “É muito diferente a relação que se estabelece com a cidade quando se tem moradias espaçadas e falta uma mobilidade urbana de qualidade”, afirma Júlia. Caio Dutra segue na mesma análise: “Brasília é uma cidade muito voltada para o privado. Cada um entra em seu carro e vai para o trabalho. Não há um contato com a cidade, com as pessoas e com o público”.

    A outra situação é um desconhecimento da população em relação à possibilidade de ocupação. Caio Dutra, do Coletivo Labirinto, lembra que quando começou a fazer eventos culturais no Setor Comercial Sul utilizava as garagens dos prédios. No entanto, um dia a garagem não abriu e o evento foi para um dos becos do SCS. “Descobri que era possível usar aquela região tirando uma autorização do espaço público e buscando a comunidade do SCS”, diz. “Mas foi uma coisa que nem a gente nem o governo sabia o que viria se a transformar. Temos, inclusive, ajudado a própria administração de Brasília a entender como é a melhor forma dessa movimentação ser benéfica para todos — governo, pessoas da cidade e produtores”, acrescenta.

    “Têm ações que a gente faz que não precisam de autorização da administração, porque a dimensão é muito pequena. Mas mesmo assim, a gente investe para que o poder público esteja ciente, para que aconteça essa troca e abertura. O que tem sido evidente é, até pelos novos movimentos que têm surgido e pelo apoio do próprio governo, o engajamento cidadão. As pessoas querem se envolver mais. Claro que isso ainda é muito novo e é algo a ser construído”, completa Júlia Solléro.

    Faça a festa!

    Para se fazer um evento em um espaço público do DF, é preciso entrar em contato com a administração da cidade e também do espaço, no caso de locais como a Funarte, Torre de TV, Setor Comercial Sul e Torre Digital, que possuem suas próprias associações e administrações. De acordo com a Administração Regional do Plano Piloto, responsável pela área central da cidade, a autorização de cada espaço difere de acordo com a particularidade de cada evento, não existindo uma única regra para cada local e para cada movimentação cultural. É necessário analisar pontos como a quantidade de público, o impacto sonoro e no trânsito, a anuência da comunidade daquela região e a possibilidade de uso do espaço, já que existem locais onde não é permitido o acesso.



    (*) » Adriana Izel – Fotos: Marcelo Ferreira/CB/D.A.Press – Angela Raymundo-Divulgação – Correio Braziliense

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