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  • domingo, 23 de abril de 2017

    Por uma Universidade de Brasília


    *Por Márcia Abrahão Moura

    A Universidade de Brasília nasceu praticamente com a capital. A cidade ainda era um grande canteiro de obras quando, em 21 abril de 1962, o antropólogo Darcy Ribeiro, nosso primeiro reitor, inaugurou as atividades no câmpus da Asa Norte. Gerações de estudantes, docentes e técnicos dedicaram esforços, nos últimos 55 anos, para a construção do que hoje é a UnB, uma das 10 maiores instituições de ensino superior do Brasil e uma das melhores da América Latina.

    Com quatro câmpus consolidados no Distrito Federal e diversas atividades ligadas ao ensino, à pesquisa e à extensão, a UnB tem, em seu DNA, o espírito inquieto, corajoso e transformador de seus fundadores. É chegada a hora de resgatar essa vocação e tornar a UnB, mais uma vez, uma universidade pulsante e, efetivamente, patrimônio de Brasília.

    Esse é o desafio que nos inspira desde que assumimos a gestão, no fim do ano passado. Um de nossos principais compromissos é promover a reinserção da Universidade nos debates de relevância para a sociedade. Temos, hoje, 2,6 mil professores, 3,2 mil técnicos e 47 mil alunos, que representam valiosos recursos humanos. Quantas boas ideias, soluções criativas, análises inusitadas não surgem diariamente dessa multidão que compõe a comunidade universitária?

    Foi a partir dessa perspectiva que realizamos algumas importantes discussões nos últimos meses. Temas como a PEC do teto de gastos, a segurança nos câmpus, abordada sob uma ótica de gênero, e a crise hídrica estiveram em debate, com a participação de representantes das comunidades interna e externa. Pretendemos repetir periodicamente esse tipo de encontro. A posição geográfica da UnB, na capital do país, local que serve de vitrine para dezenas de outras nações, também permite o fortalecimento dessa vocação de palco para o debate público.

    Sabemos, contudo, que é preciso mais para aproximar a instituição da realidade que a cerca. Nesse sentido, outra medida foi a criação do Decanato de Pesquisa e Inovação. Incorporando o Centro de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico (CDT) da Universidade, um órgão que já dialoga com a iniciativa privada, o novo decanato trabalha para a promoção de uma troca constante com o setor produtivo. Esperamos, assim, ampliar a contrapartida que a instituição oferece à sociedade, em forma de conhecimento, tecnologia e inovação.

    Ainda nesse rol de ações para levar a UnB para fora de seus muros, estamos relançando a revista Darcy, publicação de jornalismo científico e cultural da universidade. Darcy reunirá, em uma linguagem clara, objetiva e didática, informações sobre a ciência produzida na instituição. A revista, idealizada e nascida em 2009, mas interrompida nos últimos três anos, ressurge para levar o nosso trabalho de forma mais efetiva aos que o sustentam e aos que dele podem se beneficiar.

    Como pano de fundo dessas medidas, está o compromisso com a melhoria da qualidade acadêmica. Fruto de um projeto ousado, a UnB precisa voltar a brilhar entre as grandes universidades. Para que isso se concretize, estamos investindo na melhoria das condições de trabalho do corpo docente e técnico. Essa estratégia inclui o estímulo à renovação das práticas pedagógicas, de forma a enfrentar as rápidas mudanças e os complexos desafios postos pela sociedade contemporânea.

    Outra necessidade é o acompanhamento mais cuidadoso do desempenho dos estudantes. Se, por um lado, nos esforçamos para garantir equidade de acesso — aumentamos a quantidade de cursos noturnos e, desde o ano passado, 50% das vagas são preenchidas por jovens oriundos da rede pública de ensino — por outro, ainda nos falta dar melhores condições para que todos os estudantes concluam, com êxito, os seus cursos. Reduzir a evasão, problema comum a muitas instituições de ensino superior, é uma das nossas tarefas.

    Honrar todos esses compromissos, em um cenário de crise econômica e de cortes, exige criatividade. O orçamento para custeio e para investimentos está aproximadamente 45% menor do que em 2016 — e, embora tenhamos fontes próprias de arrecadação, somos impedidos de usar grande parte desses recursos devido aos limites do teto orçamentário. Estamos em diálogo constante com autoridades e com outras instituições que enfrentam o mesmo problema, apontando a necessidade de rever esse tipo de restrição no atual momento econômico.

    Enquanto isso não acontece, nos esforçamos para otimizar processos, reduzir o excesso de burocracia, o desperdício e aproveitar melhor nossos recursos humanos e materiais. Hoje, quando a universidade chega aos 55 anos, completados na sexta-feira, nosso maior desejo é que a UnB seja cada vez mais motivo de orgulho da comunidade interna e da sociedade. E que continue cumprindo a missão de ser uma grande universidade, no coração do Brasil e com o olhar para o mundo.

    (*) Márcia Abrahão Moura - Reitora da Universidade de Brasília (UnB) – Fonte Correio Braziliense – Foto/Ilustração: Blog - Google

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