Por: Severino Francisco - Correio Braziliense - 27/01
Não gosto de ser acusado de preconceituoso. Por isso, quando surgiu esta onda de rolezinhos em shoppings, decidi fazer uma varredura em busca do que diziam a rapaziada do movimento, os articulistas, os sociólogos, os antropólogos e os psicólogos de plantão. Li muita coisa para tomar pé da situação. No entanto, vejam só as voltas que o mundo dá: fui encontrar a opinião mais lúcida nas páginas do Correio, na coluna Sr. Redator, em uma carta do leitor Daniel Oliveira, de Santa Maria.
Identifiquei-me tanto com a missiva que quase me espantou que ela não tivesse o meu nome embaixo na condição de autor. Peço licença, portanto, para replicar alguns trechos: “Nada contra ou a favor do rolezinho, mas não seria mais inteligente da parte desses jovens manifestar sua insatisfação no Congresso Nacional, na Câmara Legislativa do Distrito Federal, na Administração Regional de sua cidade, no Buriti?”
E mais: “Dê um rolezinho (manifeste-se) na Administração Regional, quando o administrador da sua cidade desviar recursos da cultura, quando fizer churrasco em pleno expediente, regado de cerveja, quando sua quadra residencial estiver jogada às traças, com mato alto e sem iluminação”.
A pauta da necessidade de espaços de lazer para a juventude, principalmente a da periferia, é da mais alta relevância e urgência. Ela está consagrada como direito no Estatuto da Criança e do Adolescente. No entanto, me parece que o movimento erra no alvo.
Não consta que os shoppings sejam responsáveis pelas políticas públicas de lazer. Essa é uma atribuição dos governos, dos ministérios, das câmaras, das prefeituras e das secretarias. Para isso, pagamos altos impostos todos os meses, descontados em folha ou embutidos no preço dos produtos que consumimos.
Seria mais eficaz (e justo) se o movimento programasse um rolezinho na Câmara Distrital do DF, onde suas excelências têm se esmerado em forjar emendas para shows de uma subcultura musical de quinta categoria, com graves problemas de superfaturamento, que, aliás, não passaram despercebidos pelo Ministério Público.
É assim que se formam os curraizinhos eleitorais que sustentam o que alguém já chamou de “a vanguarda do atraso” em plena capital do país. Tudo isso, enquanto os espaços culturais do Plano Piloto e das cidades da periferia estão caindo aos pedaços.
No roteiro, sugiro, também, uma visita aos homens fortes do governo que decidem o orçamento e dedicam zero vírgula meio por cento para a cultura. Um outro rolezinho que teria o meu incondicional apoio seria nas Secretarias de Educação e de Cultura, para que as duas pastas trabalhassem em parceria. As ideias e os valores mais preciosos precisam florescer na escola. Lazer sem cultura e sem educação tem uma grande probabilidade de derrapar na mediocridade ou na violência.
Que tal um outro encontro da rapaziada na mesma Câmara Distrital do DF durante a votação do PPCUB, um suposto plano de preservação de Brasília, mas, na verdade, um cavalo de Tróia, que esconde um projeto de destruição da qualidade de vida na cidade? Se os rolezinhos fossem programados para os endereços corretos, garanto que muita coisa já teria mudado para melhor.
Não gosto de ser acusado de preconceituoso. Por isso, quando surgiu esta onda de rolezinhos em shoppings, decidi fazer uma varredura em busca do que diziam a rapaziada do movimento, os articulistas, os sociólogos, os antropólogos e os psicólogos de plantão. Li muita coisa para tomar pé da situação. No entanto, vejam só as voltas que o mundo dá: fui encontrar a opinião mais lúcida nas páginas do Correio, na coluna Sr. Redator, em uma carta do leitor Daniel Oliveira, de Santa Maria.
Identifiquei-me tanto com a missiva que quase me espantou que ela não tivesse o meu nome embaixo na condição de autor. Peço licença, portanto, para replicar alguns trechos: “Nada contra ou a favor do rolezinho, mas não seria mais inteligente da parte desses jovens manifestar sua insatisfação no Congresso Nacional, na Câmara Legislativa do Distrito Federal, na Administração Regional de sua cidade, no Buriti?”
E mais: “Dê um rolezinho (manifeste-se) na Administração Regional, quando o administrador da sua cidade desviar recursos da cultura, quando fizer churrasco em pleno expediente, regado de cerveja, quando sua quadra residencial estiver jogada às traças, com mato alto e sem iluminação”.
A pauta da necessidade de espaços de lazer para a juventude, principalmente a da periferia, é da mais alta relevância e urgência. Ela está consagrada como direito no Estatuto da Criança e do Adolescente. No entanto, me parece que o movimento erra no alvo.
Não consta que os shoppings sejam responsáveis pelas políticas públicas de lazer. Essa é uma atribuição dos governos, dos ministérios, das câmaras, das prefeituras e das secretarias. Para isso, pagamos altos impostos todos os meses, descontados em folha ou embutidos no preço dos produtos que consumimos.
Seria mais eficaz (e justo) se o movimento programasse um rolezinho na Câmara Distrital do DF, onde suas excelências têm se esmerado em forjar emendas para shows de uma subcultura musical de quinta categoria, com graves problemas de superfaturamento, que, aliás, não passaram despercebidos pelo Ministério Público.
É assim que se formam os curraizinhos eleitorais que sustentam o que alguém já chamou de “a vanguarda do atraso” em plena capital do país. Tudo isso, enquanto os espaços culturais do Plano Piloto e das cidades da periferia estão caindo aos pedaços.
No roteiro, sugiro, também, uma visita aos homens fortes do governo que decidem o orçamento e dedicam zero vírgula meio por cento para a cultura. Um outro rolezinho que teria o meu incondicional apoio seria nas Secretarias de Educação e de Cultura, para que as duas pastas trabalhassem em parceria. As ideias e os valores mais preciosos precisam florescer na escola. Lazer sem cultura e sem educação tem uma grande probabilidade de derrapar na mediocridade ou na violência.
Que tal um outro encontro da rapaziada na mesma Câmara Distrital do DF durante a votação do PPCUB, um suposto plano de preservação de Brasília, mas, na verdade, um cavalo de Tróia, que esconde um projeto de destruição da qualidade de vida na cidade? Se os rolezinhos fossem programados para os endereços corretos, garanto que muita coisa já teria mudado para melhor.

