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ELEIÇÕES 2014 » A busca pelo espólio de Eduardo

Dilma e Aécio intensificam a agenda no Nordeste de olho nos 4,5 milhões de votos que o político morto na semana passada tinha na região.

Aécio Neves visita fábrica no Rio Grande do Norte: candidato tucano prometeu políticas voltadas para o desenvolvimento da Região Nordeste

Oito dias após o acidente aéreo que matou Eduardo Campos (PSB), os presidenciáveis Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição, e Aécio Neves (PSDB) deram a largada em uma corrida particular: a busca pelos votos que o socialista tinha na região. Na última pesquisa Datafolha com Eduardo no páreo, feita entre 15 e 16 de julho, ele aparecia com 12% da preferência dos nordestinos. O percentual corresponde a cerca de 4,5 milhões de votos na região, levando-se em conta dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que indicam a presença de 38,2 milhões de eleitores nos nove estados do Nordeste. Não à toa, a petista esteve em Pernambuco e na Bahia ontem, acompanhada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (ver reportagem abaixo). Aécio, por sua vez, passou a quinta-feira no Rio Grande do Norte e na Paraíba. 

O líder do PSDB na Câmara e candidato à reeleição, Antônio Imbassahy (BA), colaborador da campanha de Aécio, lembra que o “périplo nordestino” do tucano já estava programado, mas foi adiado após a morte de Eduardo. “Havia o planejamento para essas visitas, que foram postergadas em decorrência da tragédia, e que agora estão sendo retomadas. Não há nenhum motivo novo, adicional”, comentou. 

Segundo Imbassahy, o principal objetivo é tornar o político mineiro mais conhecido nos estados nordestinos. “É uma região muito importante e o que se procura fazer é ampliar o nível de conhecimento de Aécio nesses estados, que ainda é muito pequeno, sobretudo no interior. Vamos mostrar propostas concretas e assegurar que os programas sociais não serão cortados, mas ampliados”, disse o deputado.

No Rio Grande do Norte, Aécio afirmou que os incentivos para a Região Nordeste serão prioridade em seu mandato. “Serei o presidente da República do emprego, do desenvolvimento, do trabalho, da solidariedade. A nossa proposta é a que vai recuperar a confiança do Brasil para que os investimentos que nos deixaram retornem. O Brasil tem que voltar a crescer para gerar emprego e renda”, disse. Ele visitou, à tarde, uma fábrica em Extremoz, na região metropolitana de Natal, e fez caminhada pelo Camelódromo de Alecrim, na capital potiguar. À noite, fez campanha em Pombal e Patos, na Paraíba. 

Na quarta-feira da semana passada, Aécio esteve no Rio Grande do Norte, mas a agenda foi interrompida por causa do acidente que matou Eduardo Campos. “Foi impossível não lembrar, porque nós soubemos da queda do avião justamente quando chegávamos a Natal, na semana passada. É um lamento muito grande, e que fique o exemplo da vontade do Eduardo, que é também a nossa, de mudar o Brasil”, comentou o tucano. 

Perguntado sobre a entrada de Marina Silva (PSB), agora cabeça de chapa do partido de Eduardo, na corrida presidencial, Aécio voltou a dizer que a principal adversária dele será Dilma Rousseff. “Meu adversário nesta eleição é o governo que aí está”, afirmou. 

“Família Brasileira”
Aécio reafirmou o compromisso em manter o Bolsa Família e falou que pretende fazer ajustes no programa. “O Bolsa Família vai permanecer, mas nós vamos permitir que a pessoa receba não só o recurso financeiro, mas ascenda socialmente. Vamos suprir outras necessidades, como saneamento, saúde e qualificação. Portanto, nós traçamos um programa chamado Família Brasileira que vai, dentro do cadastro único, dividir em cinco níveis de carência todos os que recebem o Bolsa Família”, explicou o candidato. 

O tucano falou ainda sobre o programa Nordeste Forte, cujo lançamento está marcado para amanhã, e reforçou que a região será prioridade no governo, uma vez que é “preciso tratar os desiguais como desiguais”. “Esse programa terá os principais eixos de investimento na região, que passem pela questão tributária, pela questão logística, pela questão da inovação, portanto, investimento em ciência, tecnologia e valorização das vocações que esta região tem”, disse. 

“O Bolsa Família vai permanecer, mas nós vamos permitir que a pessoa receba não só o recurso financeiro, mas ascenda socialmente. Vamos suprir outras necessidades, como saneamento, saúde, qualificação”



Aécio Neves, presidenciável do PSDB

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Por: André Shalders -  Marcelo da Fonseca - Correio Braziliense - 22/08/2014

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