Rica em histórias estapafúrdias, a política brasileira se supera a cada eleição e a falência do nosso sistema eleitoral é cada vez mais evidente. Em pleno século 21, há partidos que permitem bizarrices no horário gratuito de rádio e tevê, ainda existe a oferta de dentaduras para eleitores e muitas legendas aceitam qualquer candidato, sem conhecer ao menos suas propostas. No país das modernas urnas eletrônicas, a escolha dos representantes parou no tempo.
Logo na primeira semana da propaganda, o dublê de deputado e palhaço Tiririca nos brindou com uma paródia de Roberto Carlos. Na cena, o federal mais votado no Brasil em 2010 pede a reeleição fantasiado e cantando um jingle baseado numa música do Rei. Uma cena melancólica. É claro que teve que retirar o quadro do ar. De quebra, ainda será processado por usar indevidamente a canção.
Em Brasília, o Correio Braziliense mostrou que um candidato a deputado promete criar um kit macho para, segundo ele mesmo, “ensinar meninos a gostarem de meninas”. E não para por aí: ele condena as mulheres que trabalham fora de casa e quer proibir a entrada delas nas Forças Armadas. Dizendo estar surpreendido, o PSDB pediu que as propostas não fossem mais levadas ao ar.
Está muito claro que o tal candidato foi aceito na disputa apenas para compor o quadro de postulantes à Câmara Federal — há favoritos dentro da legenda e os outros são meros coadjuvantes. Ninguém se preocupou em saber o que ele pensava nem se havia identidade ideológica. Uma prática comum e abjeta, que criou uma situação constrangedora para os tucanos diante da repercussão nas redes sociais.
E pra fechar o show de aberrações, soubemos por reportagem da Folha de S.Paulo que uma moradora do interior da Bahia ganhou próteses dentárias para participar do programa de Dilma. Dona Nalvinha apareceu na tevê com dentes brilhantes e com parte da casa reformada. Tudo pra dizer que sua vida estava muito melhor. A baiana foi mais uma personagem da farsa política brasileira. De uma novela em que a imagem vale mais do que o conteúdo. Infelizmente, poucos querem mudar essa realidade.
Por: Marcelo Agner - Correio Braziliense - 25/08/2014
Logo na primeira semana da propaganda, o dublê de deputado e palhaço Tiririca nos brindou com uma paródia de Roberto Carlos. Na cena, o federal mais votado no Brasil em 2010 pede a reeleição fantasiado e cantando um jingle baseado numa música do Rei. Uma cena melancólica. É claro que teve que retirar o quadro do ar. De quebra, ainda será processado por usar indevidamente a canção.
Em Brasília, o Correio Braziliense mostrou que um candidato a deputado promete criar um kit macho para, segundo ele mesmo, “ensinar meninos a gostarem de meninas”. E não para por aí: ele condena as mulheres que trabalham fora de casa e quer proibir a entrada delas nas Forças Armadas. Dizendo estar surpreendido, o PSDB pediu que as propostas não fossem mais levadas ao ar.
Está muito claro que o tal candidato foi aceito na disputa apenas para compor o quadro de postulantes à Câmara Federal — há favoritos dentro da legenda e os outros são meros coadjuvantes. Ninguém se preocupou em saber o que ele pensava nem se havia identidade ideológica. Uma prática comum e abjeta, que criou uma situação constrangedora para os tucanos diante da repercussão nas redes sociais.
E pra fechar o show de aberrações, soubemos por reportagem da Folha de S.Paulo que uma moradora do interior da Bahia ganhou próteses dentárias para participar do programa de Dilma. Dona Nalvinha apareceu na tevê com dentes brilhantes e com parte da casa reformada. Tudo pra dizer que sua vida estava muito melhor. A baiana foi mais uma personagem da farsa política brasileira. De uma novela em que a imagem vale mais do que o conteúdo. Infelizmente, poucos querem mudar essa realidade.
Por: Marcelo Agner - Correio Braziliense - 25/08/2014

