
Carlos Newton
Não há dúvida de que as primeiras mudanças feitas pela presidente Dilma Rousseff em seu ministério contrariaram o ex-presidente Lula, ao reduzir sua influência no governo e desalojar alguns de seus colaboradores. A principal queixa de Lula se refere à saída do chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, deixando o ex-presidente sem ninguém de sua confiança na cúpula do Planalto para fazer frente ao chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante. O fato é que Lula nunca gostou de Mercadante e tentou torpedeá-lo de todas as formas, desde que chegou ao poder em 2003.
Antes da posse de Lula, era consenso ter Mercadante como ministro da Fazenda, por ser o principal formulador da política econômica defendida pelo PT. Foi uma surpresa quando Lula não lhe deu vez no ministério, alegando que precisava dele no Senado. Depois, o humilhou publicamente, ao fazê-lo voltar atrás de um “pedido irrevogável” de afastamento da liderança do governo.
Na verdade, Lula sempre boicotou o surgimento de qualquer liderança que pudesse ameaçar seu domínio absoluto sobre o PT. Os melhores nomes do partido, como Mercadante, Nilmário Miranda e Patrus Ananias, sempre tiveram as asas podadas por Lula. Foi justamente por isso que “inventou” Dilma Rousseff em 2010, para seguir governando por trás dos bastidores, como uma espécie de Rasputin em versão operária, digamos assim.
“PODER EXCESSIVO”
Oportuna reportagem de Cátia Seabra, na Folha de São Paulo, informa que “aliados do ex-presidente, que governou o país de 2003 a 2010, dizem que ele considerou excessivo o poder conferido ao ministro da Casa Civil, o petista Aloizio Mercadante, na nova configuração do governo e na articulação das mudanças na equipe”.
A jornalista acrescenta que “na avaliação dos lulistas, Mercadante sonha em concorrer à Presidência nas eleições de 2018 e vale-se de sua proximidade com Dilma para evitar a ascensão de outros petistas ao centro do poder”.
“Mercadante é o general. Comanda a equipe. E tem que trabalhar com os coronéis”, disse à repórter o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamoto, numa alusão à concentração de poder nas mãos do ministro.
LULA E DILMA
Ao contrário do que parece (e muitos até almejam), a redução da influência de Lula sobre Dilma Rousseff é muito negativa para o país. Lula saiu-se bem como governante, o país cresceu e ele entregou o governo a Dilma com PIB positivo em 7,5%, uma façanha memorável. Podemos criticá-lo por ter estimulado o consumo irresponsavelmente etc. e tal, mas o fato é que Lula sabia incentivar os empresários e dar esperanças ao povão, enquanto Dilma Rousseff faz exatamente o contrário.
Com sua postura teatral de caras e bocas, julgando-se merecedora do Nobel de Economia embora jamais tenha passado do bacharelato, e com uma dificuldade assustadora de concluir raciocínios e frases, Dilma Rousseff joga o país na encruzilhada da desesperança. Este Natal, para o comércio, foi o pior desde 2004, e não precisamos falar mais nada.
Vai ser duro aturar quatro anos desta inutilidade chamada Dilma Rousseff. Este ano, quando os petistas gritavam “Volta, Lula!”, sabiam o que estava dizendo. Daqui a mais alguns meses, vão começar a gritar “Fora, Dilma!”, porque nem mesmo os petistas vão conseguir aguentar.
Por isso, já existe uma torcida desesperada para que o escândalo do mensalão atinja diretamente o Planalto. Ainda é uma onda, mas pode se tornar um tsunami.
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