A campanha eleitoral acabou no
dia que foi eleito o novo governador? Ou não?
Passadas as eleições, o que vemos
na rede social é uma verdadeira guerra entre integrantes do grupo de vitoriosos
e de outro lado os derrotados. Entre si, os adjetivos usados são os piores
possíveis...
Ladrão, bandido, fdp e tantos
outros ataques são divulgados e repercutidos pela internet.
Nos ataques postados nessas redes
privadas, até o Poder Judiciário sofre pesadas acusações. Incrível é ver que
muitos dos que hoje o atacam, a bem pouco tempo a ele recorriam com o discurso
de precisar de remédios jurídicos para defender o direito da população.
Hipocrisia?
Muitas das mensagens divulgadas
chegam ao absurdo de conclamar seus seguidores a caça as bruxas contra
rorizistas, arrudistas e petistas, "ganhamos as eleições, agora vamos
acabar com os rorizistas, petistas e arrudistas." A que ponto
chegamos! Quantos dos futuros ocupantes do primeiro escalão do novo governo não
passaram por governos chefiados por Roriz, Arruda e Agnelo? Ou que no mínimo,
tem ou tiveram relação de amizades com integrantes desses governos. Ou os
vitoriosos e seus seguidores sofrem de amnésia?
Resta desejar que, entre
ganhadores e perdedores, o adversário não seja visto como inimigo.
Ganhar ou perder a eleição não
foi suficiente. Para alguns, parece que não foi.
A decisão das urnas, da
democracia, não será suficiente?
Querem ir além? Levar a
desmoralização pessoas que vestiram camisas de outros candidatos e foram
derrotadas pelo voto é o caminho mais sensato para os ganhadores?
O ruim é que esse sentimento dá
uma ideia verdadeira para alguns,ou falsa para outros, de que existem duas
cidades. A dos ricos e a cidade dos pobres. A dos informados e a dos
desinformados. A dos que se acham donos do próximo governo e a dos que serão
esquecidos, perseguidos por ele. Fugirá então o grupo vitorioso ao discurso da
campanha?
O resultado das eleições selou o
destino de vitoriosos e derrotados por mais quatro anos, diferente disso, é
tentar passar a impressão que Brasilia se encontra dividida. E não está.
Numa democracia, é preciso
respeitar a escolha de cada um. Mas a maioria vencedora, tem que ter a virtude
de respeitar a minoria derrotada. Respeito é virtude, é civilidade, é educação.
Deve-se respeitar o amigo, o adversário, o parceiro e até os inimigos do
período eleitoral ou não. Afinal, todos continuaremos morando na mesma cidade.
É a democracia.
Os vitoriosos não devem esquecer
que a população do Distrito Federal hoje está mais vigilante, e cobrará deles,
o cumprimento das promessas feitas durante a campanha eleitoral.
Brasilia não merece passar
novamente por um novo período de perseguição, de supremacia dos vitoriosos
contra os perdedores, e muito menos, da roubalheira desenfreada. Não podemos
esquecer que em oito anos, o Distrito Federal, teve a sua frente quase uma
dezena de governadores, de 2006 pra cá, a cidade definhou politicamente.
A insatisfação de todas as
matizes políticas do Distrito Federal, seja de Roriz, Arruda e Agnelo, gestou e
elegeu o novo modelo que assume o Palácio do Buriti em 2015. Houve uma escolha,
a população quer uma cidade melhor. Daí uma parte do grupo vitorioso achar que
diante da escolha feita pelos eleitores transformará Brasilia numa selva de
vingança, rancor e autoritarismo, será incorrer nos mesmos erros de um passado
muito recente.
A cidade queria mudar e mudou,
mas os vitoriosos não podem se sentir tão fortalecidos a ponto de esquecer que na massa
de votos colhidos pelo novo modelo de governo que assume em janeiro, constam
também eleitores petistas, rorizistas, arrudistas e outros istas, que
insatisfeitos buscaram um modelo que atualmente o julgam melhor.
Em Brasilia, nascidos ou não
aqui, vivem e devem ser respeitados, vencedores e vencidos. A persistir o ranço
ideológico, se travará um debate burro e novamente a cidade voltará a
frequentar as paginas policiais do noticiário.
Os vitoriosos e derrotados, estão
todos no mesmo barco e devem remar juntos, tendo como objetivo o mesmo fim, a
paz, o bem-estar de todos, uma segurança melhor, saúde e educação de
melhor qualidade.
Não se esqueçam os vitoriosos, e
alguns deles, que agora pregam a perseguição política através das redes
sociais, que as belas palavras proferidas durante a campanha, trouxeram a
cidade um fio de esperança, elas se tornaram laços que nos fazem reféns de tudo
o que dissemos, prometemos, fazemos e negamos.
E isso tudo será cobrado,ou tudo
foi apenas uma roda de conversa?
Fonte: Coluna Sempre aos Domingos, por Edson Sombra. Foto Internet -
28/12/2014

