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  • terça-feira, 9 de janeiro de 2018

    Monocultura, latifúndio e trabalho escravo: o tripé do atraso

    Monocultura, latifúndio e trabalho escravo: o tripé do atraso

    *Por Circe Cunha

    Em qualquer direção que se trafegue pelas cercanias do Distrito Federal, é possível avistar imensas monoculturas de milho, soja, algodão ou eucaliptos, plantados em latifúndios que, por sua amplidão, chegam a equivaler, em tamanho territorial, a alguns países da Europa. São lavouras gigantescas que integram a chamada agricultura de commodities, na qual o Brasil desponta como potência mundial.

    Para alguns desavisados, trata-se de riqueza em forma de biomassa, que gera muitos dividendos para o país e ajuda na balança de exportações. O que muita gente nem suspeita é que as monoculturas, mesmo trazendo divisas para o país, garantem imensas riquezas para os proprietários das lavouras e para a indústria de fertilizantes e defensivos, envolvida diretamente nesses ciclos. De resto, essa opção de agricultura deixa um passivo, principalmente em relação ao meio ambiente e às populações do campo, que não participam do ciclo de riqueza e são expulsas de suas terras, de tal monta que torna surpreendente o enorme e conivente silêncio sobre essa atividade.

    De fato, o que representa riqueza para uns poucos vem sendo denunciado por ambientalistas e cientistas como desastre de proporções ciclópicas que causam efeitos perversos e, em alguns casos, irreversíveis. Antes de tudo, é preciso compreender que o destino dado às áreas do cerrado que cercam a capital a do país será o mesmo. Brasília e o Entorno têm destinos comuns. O que for feito a um trará efeitos sobre o outro. Não há futuros distintos no caso específico da monocultura do eucalipto, uma espécie alienígena, importada da Austrália nos anos 1970, dentro de um programa errático de reflorestamento. Estudos recentes comprovam a ligação direta dessa cultura com a escassez hídrica no cerrado, principalmente nas regiões mais ao norte.

    Depois de cinco décadas de sua introdução, a monocultura de eucalipto demonstrou seu potencial sobre o fenômeno da desertificação do cerrado. Estudos científicos realizados por ambientalistas mineiros comprovam que as imensas plantações da espécie, utilizada nas indústrias siderúrgicas da região, afetam diretamente a recarga dos aquíferos dessas áreas. Da média histórica de precipitação pluviométrica, em torno de 1 mil milímetros/ano, o eucalipto consome sozinho 800 milímetros. Como o cerrado precisa de 500 milímetros, há um deficit anual de 300 milímetros. Em consequência, rios e córregos da região apresentam, a cada ano, uma diminuição em seus volumes.

    Pelo estudo, fica evidenciado que, de 2013 para cá, a situação nas bacias dos rios São Francisco e Jequitinhonha se agrava, afetando mais de 270 municípios da região que passaram a enfrentar situações frequentes de emergência.

    Estudiosos do problema têm alertado para conter o avanço dessa cultura, pedindo a proibição total de abertura de novas áreas de cultivo e o monitoramento constante dos níveis dos lençóis freáticos da região. Passados 500 anos, continuamos a insistir no plantio de monoculturas, cultivadas em grandes latifúndios. Hoje, a diferença é que a mão de obra escrava foi substituída pelo boia-fria, uma espécie de escravo moderno. Quem conhece um pouco de história do Brasil sabe que esse tripé, formado pela monocultura, latifúndio e trabalho escravo, se constituiu na base de nossa economia e do nosso atraso, pelo visto, eterno.

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    A frase que foi pronunciada
    “A inveja é um atestado de inferioridade.”
    (Napoleão Bonaparte)

    Carta do leitor
    »
    Recentemente, entrou em vigor uma lei que condena o motorista alcoolizado à prisão. Esqueceram que não existem vagas para bandidos nas penitenciárias brasileiras. As prisões estão superlotadas com ladrões, assassinos, estupradores etc. Agora, então, é que a coisa vai complicar para o cidadão pagador de impostos. Quem você acha que o governo vai querer prender? Alguém que tem que pagar uma multa de aproximadamente R$ 3 mil para o faturamento governamental ou um assassino que custará um absurdo às contas públicas? Breve, nas cadeias, apenas motoristas. Bandidos, assassinos e ladrões à solta por falta de espaço e pelo “faturol”! 
    (Ray Netto)


    (*) Circe Cunha – Coluna “Visto, lido e ouvido” – Ari Cunha – Correio Braziliense – Foto/Ilustração: Blog - Google

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