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  • terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

    UnB: A Universidade que se faz para todos


    A Universidade que se faz para todos

    *Por Márcia Abrahão Moura

    Em 2018, celebramos os 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, um marco para o enfrentamento de todas as formas de preconceito, violência e discriminação. Publicado nos anos seguintes ao fim da Segunda Guerra Mundial, o documento é, ainda hoje, a mais forte afirmação dos povos pela igualdade, independentemente de cor, raça, gênero ou orientação sexual, política e religiosa dos indivíduos. A Declaração é uma ferramenta importante a ser difundida e fortalecida frente aos inúmeros desafios que se interpõem à efetiva concretização dos direitos humanos na atualidade.

    Ciente disso e de sua missão como uma instituição educadora, a Universidade de Brasília (UnB) está lançando a campanha institucional #UnBMaisHumana, por meio da qual iniciativas e projetos com a temática dos direitos humanos serão sistematizados, aprimorados e/ou ampliados. O Conselho de Direitos Humanos da UnB, criado em 2017, é uma iniciativa recente da Universidade, que assinala o nosso compromisso permanente com a promoção de uma cultura de paz e de respeito à dignidade humana. Caberá ao Conselho de Direitos Humanos realizar estudos sobre essa temática e propor políticas integradas para o combate à violência e à discriminação e para a melhoria do acolhimento à diversidade na UnB.

    Ao longo dos últimos anos, a composição de nossa comunidade acadêmica se modificou. Se, antes, a UnB era frequentada, prioritariamente, por estudantes provenientes de colégios particulares, a reserva de vagas para negros e jovens oriundos de escolas públicas e a expansão para além do Plano Piloto transformaram de forma definitiva o perfil discente. No segundo semestre de 2017, mais da metade dos alunos se declarou negra (50,6%); há cinco anos, esse percentual era de 42,3%. Em 2018, teremos 46% de discentes que concluíram o ensino médio na rede pública de ensino e uma nova turma de ingressantes pelo vestibular indígena – paralisado havia quatro anos. Essa mudança no perfil dos alunos ingressantes demonstra a importância e o potencial do ensino superior público, acessível a todos – afinal, um direito conquistado pela sociedade brasileira.

    Com uma população mais diversa na universidade, cresceram, também, os desafios para a permanência e para o sucesso acadêmico desses estudantes. Em muitos casos, são pessoas que vivem em situação de vulnerabilidade econômica e que precisam de apoio para alcançarem um bom desempenho. Nessa linha, estamos trabalhando para que possam usufruir plenamente de todas as oportunidades de aprendizado, pesquisa e extensão que a Universidade pode oferecer.

    Um exemplo de como isso vem sendo feito está no acesso ao Restaurante Universitário (RU). Desde o semestre passado, os estudantes com renda per capita familiar inferior a um salário mínimo e meio podem fazer refeições com subsídio integral no RU desde o primeiro dia de aula — antes, eles precisavam passar por um estudo socioeconômico, que podia levar meses para ser concluído. A Universidade também realizou modificações no programa de tutoria, com especial atenção aos alunos indígenas e estrangeiros. Os tutores recebem treinamento e elaboram, em parceria com os colegas tutorados, um plano de atividades que proporciona melhor integração à vida universitária.

    Outro foco de atenção da administração diz respeito ao combate ao racismo, ao sexismo, à homofobia, ao assédio moral e a outros tipos de violência, física ou psicológica, nos campi. Como parte desse esforço, aprovamos, no fim do semestre passado, a resolução que regulamenta o uso do nome social na instituição. E, no início deste ano, regulamentamos o programa auxílio-creche, voltado para estudantes em situação de vulnerabilidade com filhos de até 5 anos. Além disso, estamos realizando, periodicamente, treinamento junto ao pessoal de segurança, para uma abordagem mais adequada aos diferentes públicos que compõem a Universidade.

    Dedicamos especial atenção ao combate à violência de gênero, que atinge especialmente as mulheres e as pessoas trans na sociedade. Um dos principais desafios para uma #UnBMaisHumana é justamente levar essa e outras questões relacionadas aos direitos humanos a todos os membros da comunidade — não apenas a grupos restritos –, para que se sintam, como parte da comunidade universitária, corresponsáveis pelo bem-estar e pela segurança de todos.

    Esperamos que nossos esforços fortaleçam o respeito à liberdade de expressão e opinião — direito emblemático de um Estado democrático. Nesse sentido, internamente, buscamos valorizar os órgãos colegiados, que, hoje, têm uma participação bastante ativa nas decisões da instituição. Assim, a Universidade de Brasília reafirma seu compromisso com a defesa dessas premissas e com sua missão de formar cidadãos conscientes e responsáveis, prontos para realizar as transformações de que o país tanto precisa.


    (*) Márcia Abrahão Moura - Reitora da Universidade de Brasília (UnB) – Fotos: Bento Viana - (Wilson Dias - Agência Brasil) - Ilustração: Blog – Google

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