"Vejo com satisfação a capacidade de unificar o campo progressista
em Brasília. São partidos (PSB e PDT) com uma vida coerente, que têm mais
afinidades do que divergências. Iremos para as ruas com dignidade" Rodrigo
Rollemberg, governador do DF... (ao lado de Chico Leite (E), Leila Barros e
Eduardo Brandão)
Disputa equilibrada no horário eleitoral - Com
aliança firmada entre o PSB e o PDT, a chapa do governador Rodrigo Rollemberg
se aproxima dos grupos com mais tempo de propaganda na tevê e no rádio. Alguns nomes
podem ser alterados mesmo após as convenções
*Por Helena Mader - Ana Viriato - Augusto Fernandes
Com a definição das chapas que disputarão o Palácio
do Buriti, as coligações fazem as contas para saber qual será o tempo de
televisão de cada grupo. No Distrito Federal, não haverá grande discrepância
entre os primeiros colocados no ranking de alianças com maior tempo de
propaganda eleitoral, o que deve equilibrar a disputa, segundo especialistas.
Ontem, o PDT anunciou o apoio à candidatura de Rodrigo Rollemberg (PSB) e
alavancou o espaço de propaganda gratuita do grupo do governador, praticamente
igualando o espaço do chefe do Executivo ao da maioria dos principais rivais.
O candidato do MDB, Ibaneis Rocha, lidera a lista
de concorrentes com mais inserções. Graças à coligação formada por Avante, PP,
PPL e PSL, o emedebista terá 1 minuto e 57 segundos no rádio e na tevê, a cada
bloco de nove minutos (veja Em campanha). Em seguida, aparece Alberto Fraga, do
DEM, que se coligou ao PSDB, ao PR e ao DC. Por causa do grupo formado pelo
deputado federal, a coligação terá à disposição 1 minuto e 49 segundos por bloco.
O PSD, do deputado federal Rogério Rosso, reuniu
PPS, PRB, Podemos, Solidariedade e PSC. Com isso, ele terá 1 minuto e 26
segundos no rádio e na televisão. O governador Rodrigo Rollemberg é o quarto
colocado no ranking. Ele conquistou o apoio do PV, da Rede, do PCdoB e do PDT
e, graças às alianças, contará com 1 minuto e 15 segundos a cada bloco de nove
minutos. O acordo com o PDT, firmado no fim do prazo das convenções, ajudou o
grupo a ampliar o espaço na propaganda gratuita do rádio e da tevê. Mesmo com
chapa puro-sangue, o PT ficará com 1 minuto e oito segundos.
Relevância
Especialistas apontam que o tempo de exposição de
candidatos no horário eleitoral gratuito ainda é relevante para a disputa
eleitoral. O consultor político e professor da Universidade Católica de
Brasília (UCB) Creomar Souza afirma que, nesta campanha, a propaganda no rádio
e na tevê deve ser integrada à veiculada em outras plataformas, como as redes
sociais. “A palavra para esta eleição é interconectividade. Para ser eficiente,
as peças de internet e das redes sociais têm de dialogar com a propaganda
exibida na tevê e com as outras para que haja concretude”, explica o
especialista.
Creomar lembra que, para os concorrentes com pouco
tempo à disposição, essa interação entre as plataformas será mais importante.
“Com poucos segundos na propaganda, os candidatos não têm tempo de veicular
promessas e bandeiras de campanha. Mas eles podem usar o tempo para divulgar um
evento de campanha, ou para anunciar a veiculação de material importante no
site do candidato ou nas redes sociais”, explica o professor da UCB.
Segundo o especialista, existe uma tendência de
redução da importância da propaganda na tevê e no rádio nas eleições por causa
da força das redes sociais. Mas a relevância, segundo ele, permanece.
“Sobretudo em alguns segmentos do eleitorado, como os mais idosos e aqueles com
baixa escolaridade, a propaganda gratuita da tevê e do rádio segue com peso
grande”, reforça Creomar.
Aliança firmada
Depois de uma negociação tensa, com idas e vindas,
o PDT anunciou, na manhã de ontem, que apoiará a candidatura à reeleição de
Rodrigo Rollemberg. Com a confirmação da aliança, o governador ampliou o tempo
de propaganda na tevê e conseguiu criar um palanque oficial para o candidato à
Presidência Ciro Gomes, como queria a direção nacional do PDT. Para celebrar o
acordo, Rollemberg foi à sede do PDT para participar do anúncio da chapa de
Ciro Gomes e agradecer o apoio da legenda. Os pedetistas confirmaram a senadora
Kátia Abreu (PDT-TO) como candidata a vice na coligação.
Presidente nacional do PDT, Carlos Lupi defendeu o
apoio ao atual governador do Distrito Federal. “Desde o início, o Rollemberg
tem travado uma luta dentro do seu partido em defesa da candidatura de Ciro
Gomes. Nessas horas, na política, temos de demonstrar gratidão, e tenho certeza
de que apoiá-lo é a melhor coisa que podemos fazer para Brasília”, apontou.
Ciro aprovou a decisão de apoiar Rollemberg.
“Fiquei orgulhoso do partido querer estar contigo. Você tem dotes e
qualificações, e o povo vai ver isso”, destacou o candidato à Presidência da
República. Rollemberg agradeceu a confiança do PDT em apoiá-lo nas eleições
deste ano. “Vejo com satisfação a capacidade de unificar o campo progressista
em Brasília. São partidos com uma vida coerente, que têm mais afinidades do que
divergências. Iremos para as ruas com dignidade”, afirmou.
À tarde, o governador reuniu aliados na sede regional do PSB a fim de anunciar a coligação completa, o que incluiu a confirmação dos nomes dos suplentes de senador. Intitulada “Brasília de Mãos Limpas”, a frente é formada por PSB, PV, Rede, PCdoB e PDT. Recém-chegados à aliança, pedetistas ficaram com a segunda suplência do candidato ao Senado Chico Leite (Rede), a qual será ocupada pelo ex-controlador-geral do DF Djacyr Arruda. “Aconteceu por conta da demora para a definição do posicionamento do partido”, justificou o chefe do Palácio do Buriti, referindo-se às idas e vindas da legenda.
O socialista confirmou o ex-secretário de Meio
Ambiente Eduardo Brandão (PV) como vice-governador. Na corrida pelo Senado,
estarão o distrital Chico Leite (Rede) e a jogadora de vôlei Leila Barros
(PSB). O primeiro suplente do parlamentar será o empresário Álvaro Silveira
Júnior (PSB). Os de Leila, a ex-secretária de Planejamento, Orçamento e Gestão,
Leany Lemos, e Maria Ivonete (PCdoB).
A coligação também definiu a formação das chapas
proporcionais. Para a disputa pela Câmara Legislativa, serão formados três
grupos: PDT/PV, Rede/PCdoB e PSB. “Concorreremos sozinhos, porque temos muitos
candidatos com grande potencial de crescimento, que testaram as urnas.
Esperamos eleger quatro”, adiantou o governador. No caso da corrida pela Câmara
dos Deputados, haverá um chapão. A perspectiva das legendas é emplacar pelo
menos dois parlamentares.
O que diz a lei
Conforme a Resolução nº 23.551, de 2017, quando a
renovação do Senado for de dois terços, a veiculação da propaganda eleitoral de
candidatos aos governos estaduais ocorrerá em dois blocos de nove minutos, às
segundas, quartas e sextas-feiras. Os órgãos da Justiça Eleitoral realizam a
divisão do tempo entre os postulantes. Pelas diretrizes, 90% dos nove
minutos são distribuídos proporcionalmente às legendas com base no número de
representantes na Câmara dos Deputados. Repartidos igualitariamente, os
demais 10% ficam com todas as siglas do país. A base de cálculo do fatiamento
dos 70 minutos de inserções é a mesma. No entanto, essas são transmitidas
diariamente.
Em campanha: Tempo de propaganda gratuita por coligação (a cada bloco de nove minutos de propaganda no rádio e na tevê): Coligação candidato Tempo total
*MDB/Avante/PP/PSC/PPL/PSL Ibaneis Rocha
(MDB) 1min57s
*DEM/PSDB/PR/DC Alberto Fraga
(DEM) 1min49s
*PSD/PPS/PRB/Podemos/Solidariedade Rogério Rosso (PSD) 1min26s
*PSB/Rede/PV/PCdoB/PDT Rodrigo Rollemberg
(PSB) 1min15s
*PT Júlio Miragaya 1min8s
*Pros/PTB/PMN/PMB/PTC/Patriota/PHS Eliana Pedrosa (Pros) 49s
*PRP Paulo Chagas 7s
*PRTB Paulo Thiago 5s
*Novo Alexandre Guerra 5s
*Psol/PCB Fátima Sousa 9s
*PSTU Antônio Guillen 5s
*PCO Renan Rosa 5s
(*) Helena
Mader - Ana Viriato - Augusto Fernandes - Foto: Minervino
Junior/CB/D.A.Press - Correio Braziliense
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ELEIÇÕES 2018
