PSB define a ex-jogadora de vôlei e ex-secretária
de Esporte como candidata, e Leany Lemos de suplente
Jogando
para conquistar o Senado Federal, a ex-jogadora de vôlei e ex-secretária de
Esporte do DF Leila Barros (PSB) promete cortar pela valorização do DF, do
esporte, da educação e da mulher. Defendo a camisa progressista, quer bloquear
a redução da maioridade penal e propor uma legislação mais dura para impedir o
crescimento da violência contra a mulher. Leila tinha uma candidatura
consolidada para a Câmara Legislativa.
Mas o governador Rodrigo Rollemberg
(PSB) viu na pulverização do time conservador uma brecha para que ela ganhasse
as urnas. Entrosada com a então candidata Leany Lemos (PSB), mudou de posição.
Por que o Senado?
As pessoas acham que houve alguma influência de cima para baixo. Na verdade não. Essa conversa sobre o Senado já vem de algum tempo. Tem uns quatro, cinco meses que o governador vinha conversando comigo. Já estive com a executiva nacional do partido. Eu vinha me preparando nesses últimos três anos, desde o último pleito, para distrital. Era uma vontade que eu tinha de fazer um trabalho na Câmara Legislativa. Sempre encarei que o princípio de tudo seria ali. Mas, assim, eu vinha acompanhando muito o cenário. Via as outras chapas, essa pulverização, essa falta de acertos. A ideia do Senado me gerava uma certa insegurança, uma vez que estamos falando de “Câmara Alta”, corte, e me dava uma sensação de distância. Não havia chegado a minha hora. Mas fui acompanhando o cenário, conversando com as pessoas, principalmente com minha família, com o PSB, com a Leany.
As pessoas acham que houve alguma influência de cima para baixo. Na verdade não. Essa conversa sobre o Senado já vem de algum tempo. Tem uns quatro, cinco meses que o governador vinha conversando comigo. Já estive com a executiva nacional do partido. Eu vinha me preparando nesses últimos três anos, desde o último pleito, para distrital. Era uma vontade que eu tinha de fazer um trabalho na Câmara Legislativa. Sempre encarei que o princípio de tudo seria ali. Mas, assim, eu vinha acompanhando muito o cenário. Via as outras chapas, essa pulverização, essa falta de acertos. A ideia do Senado me gerava uma certa insegurança, uma vez que estamos falando de “Câmara Alta”, corte, e me dava uma sensação de distância. Não havia chegado a minha hora. Mas fui acompanhando o cenário, conversando com as pessoas, principalmente com minha família, com o PSB, com a Leany.
Viu
uma possibilidade?
Isso, vi
uma possibilidade. A política não é a minha vida. Não é uma profissão. Encaro a
política como uma missão. Não existe ex-advogado, ex-professor, ex-atleta. Eu
sou uma pessoa, uma mulher realizada. Saí de Brasília com uma mão na frente e
outra atrás e conquistei a minha vida e a minha história. E nunca deixei de
estar em Brasília. Tenho uma relação, um sentimento, um compromisso com
Brasília.
E
como foi?
O PSB me
consultou, em um segundo momento. Houve uma conversa com o governador e a
Leany. E eles vieram e conversaram comigo. O governo falou: “Leila, existem
pesquisas, a análise do cenário, essa pulverização da direita, a falta de um
acerto entre eles. Eu vejo que existe um crescimento que propicia nós
continuarmos com a ideia de fazer uma chapa forte feminina”. E ele vê com bons
olhos a inserção do feminino na política. E dentro do PSB a força do feminino é
muito forte. O grupo de mulheres nas chapas para distritais, federais e a
própria Leany são muito fortes. Então ele sempre teve em mente dentro dessa
chapa majoritária inserir as mulheres. E a Leany topou também. Então ele
conversou comigo: “Eu quero que você venha e repense o Senado”. Conversei com a
minha família e com as pessoas que estavam comigo na política. E a Leany estava
junto. E perguntei para ela o que achava de tudo isso. E ela falou o seguinte:
“Leila, eu só aceitaria ir para a suplência se fosse você. Se você aceitar, eu
caminho com você. Porque em você eu acredito. Estive com você. Sem quem você é,
dos seus princípios. A questão da lealdade, o compromisso, e você tem as mesmas
intenções que eu tenho”.
Entrou
pela chapa ou para ganhar?
Para
ganhar. Aliás, apesar de ter ficado na suplência no último pleito, as pessoas
não sabem, mas fiz uma campanha com R$ 17 mil. Foram R$ 10 mil de Fundo
Partidário, R$ 3 mil eu doei e R$ 4 mil do meu marido. O resto foram
voluntários. Eu tive 11 mil votos. Eu já saí vencedora. Nestes três anos, tive
a oportunidade pelo governador de estar secretaria nestes últimos três anos.
Então eu não entro em nada para perder. Eu acredito no trabalho. A minha vida
inteira eu trabalhei muito.
O
que defenderá?
Primeiro
os interesses do DF, todos eles. Acho que quando a gente fala de Senado, existe
uma distância muito grande dessa figura com Brasília. Quando eu defini essa
decisão as pessoas diziam: “Não, o Senado é muito distante”. É óbvio que no
Senado eu tenho que abraçar os interesses da nação e as pautas são pesadas. Mas
eu também sou uma representante do povo do DF. Então vou defender os interesses
do DF. E, é claro, vou para as pautas da educação, do esporte, da mulher.
O
que no esporte?
Todas as
políticas que envolvam o esporte. Nós tivemos a MP 481, que, graças a Deus, o
presidente Michel Temer (MDB) repensou. O Governo Federal repensou e viu que
aquilo era um absurdo descabido, que não compreendeu que o esporte e a educação
são braços da segurança pública. São parceiros que se complementam e se
relacionam. Mas nessa MP o Brasil estava na contramão dessa discussão. Assim
defenderei todas as pautas que se referem ao esporte, ao esporte de inclusão. O
esporte de forma abrangente também é educação. Vemos a falta de diálogo da
educação física com a própria educação. A gente vê uma grade horária.
Antigamente a aula de educação física era no contraturno. Hoje não, a gente tem
dentro de grade entre uma aula de matemática, português, uma aula de educação
física. Como é que uma criança vai ter o prazer de praticar uma atividade
física se ela vai suar e vai para uma aula de matemática, português? Existem
estudos da Organização Mundial de Saúde que dizem que apenas um entre quatro
adultos pratica esporte atualmente. Meu Deus! A gente está condenado a ser um
país de obesos e pessoas com problemas de saúde. E isso impacta na rede pública
de saúde e no que a gente gasta com isso.
E a
violência crescente contra mulher?
Certamente,
é um absurdo descabido. Até me emociono de vermos estes casos nos tempos em que
vivemos, pensando no que hoje a mulher representa para a sociedade. Tivemos
avanços em vários setores, mas ainda vemos o homem achando que é dono da mulher
e tendo esses atos de covardia. Tem que haver leis mais severas, mais rígidas
com relação a esse tipo de atitude. Nós vamos combater isso. E vou ser uma voz
lá dentro com relação a estas questões femininas.
Redução
da maioridade penal?
Vai
totalmente contra o que eu penso. Eu sou contra essa redução. A gente tem que
cuidar dos jovens com carinho e oportunizar melhores condições para eles
através da educação, da cultura e do esporte. Essa questão da violência é muito
séria. E não acredito que a gente reduzindo a idade para a pena desses jovens e
colocando eles dentro dos presídios nós vamos resolver os problemas que temos hoje.
São pautas que eu sei que serão polêmicas. Nesses últimos anos, trabalhei muito
na área social do esporte e eu sei o impacto social desses projetos nestas
questões da redução da violência. A gente tem que empoderar e dar oportunidade
para essas pessoas que fazem esses trabalhos na ponta e tiram esses jovens da
violência, da marginalidade. A ideia é essa. Entrar nesses debates nacionais de
coração limpo e tentando compreender os dois lados. É importante estar de
coração aberto e entender que hoje, para o jovem, a gente tem que oportunizar
uma educação melhor e gerar emprego para ele. Trazer esporte, educação, sem
reduzir a maioridade penal. Vai ser um debate muito difícil.
Qual
a sua visão sobre a reforma da previdência?
A gente
tem que esperar o governo que vai ganhar e a linha que vai proceder. A gente
tem que pensar sobre os benefícios e tudo o que foi conquistado pela classe
trabalhista. Eu pretendo defender as minorias e a classe trabalhadora. Eu sei
que também existe a questão dos empresários. Mas os avanços que nós tivemos
nessas questões, a gente não pode perder. Nestes gargalos na previdência a
gente tem que entrar de uma forma muito tranquila, pensando nas pessoas e
procurando ajudar da melhor maneira possível. Vou avançar e me aprofundar nestes
temas mais pesados.
Francisco
Dutra - Foto:
Myke Sena- Agência Brasília - Jornal de Brasília.


