Ibaneis quer ocupar já o Centrad - Governador garante que em março parte
da administração pública do Distrito Federal estará funcionando no local. A
empresários, destacou que obras previstas pelo GDF vão gerar 30 mil empregos
nos próximos meses
*Por Ana Viriato
Ibaneis Rocha ao lado do ex-senador Paulo Octávio: "As licitações
serão lançadas entre março e abril"
Sem efetivo funcionamento desde a inauguração, em 31 de dezembro de
2014, e com o habite-se suspenso pela Justiça local, o Centro Administrativo de
Brasília (Centrad) será ocupado até 31 de março, “seja na base da negociação,
seja na base da força”, assegurou, ontem, o governador Ibaneis Rocha (MDB), em
reunião com o Grupo de Líderes Empresariais (Lide), presidido pelo ex-senador
Paulo Octávio.
O chefe do Palácio do Buriti negocia a compra da estrutura bilionária,
construída por meio de uma parceria público-privada, desde a transição.
Contudo, diz enfrentar empecilhos impostos pelo consórcio executor, formado por
Via Engenharia e Odebrecht. “Eles insistem no recebimento de um valor que é
questionado”, pontuou.
A perspectiva do governador é comprar o imóvel, alvo de investigações da
Polícia Federal, por um valor inferior ao da construção, que chegou a R$ 1,1
bilhão, com condições especiais, como meses de carência, por exemplo. Para
viabilizar o acordo, representantes do Executivo local encontram-se quase que
semanalmente com a diretoria da Caixa Econômica Federal, financiadora da obra
ao lado do Banco Santander.
Caso não tenha acerto até 28 de fevereiro, Ibaneis planeja publicar um
decreto de intervenção, a fim de transferir para o espaço parte da administração
pública. “Temos estruturas muito ruins para os servidores. Nos últimos dias, a
Defesa Civil condenou parte do anexo do Palácio do Buriti. Não podemos ter um
prédio moderno daquele dentro de um terreno do DF sem uso”, pontuou.
Apesar da ofensiva, entretanto, o emedebista disse não ter perdido a
esperança de um acordo. “Acredito que as empresas estão começando a ter
sensibilidade. Tive notícia pelos advogados que vão propor uma redução
significativa do valor que estão cobrando”. O Correio questionou a Via
Engenharia e a Odebrecht sobre as declarações do chefe do Buriti, mas não
obteve retorno até o fechamento desta edição.
Nem mesmo a falta de mobiliário, a necessidade de reformas no Centrad e
o habite-se suspenso inviabilizariam a ocupação, garantiu o governador. “Temos
pareceres jurídicos favoráveis e recursos. São R$ 300 milhões para a compra dos
móveis e faltam 8% das obras, o que equivale ao valor de R$ 4 milhões a R$ 5
milhões. Além do mais, nada disso impede a ocupação parcial”, pontuou.
Em nota, a concessionária do Centrad afirma que segue em tratativas com
o GDF em busca de facilitar e viabilizar a imediata ocupação do empreendimento
público. “Inclusive, propôs a constituição de um Grupo de Trabalho com o
objetivo de promover, no menor prazo possível, a ocupação do empreendimento por
parte do GDF”.
Empregos: A despeito das polêmicas, o encontro entre Ibaneis e o Lide centrou-se
na discussão de medidas que estimulem o setor produtivo e a geração de
empregos. O governador anunciou a abertura de 120 processos licitatórios até o
fim de março para dar início a novas obras na capital. “Isso vai nos colocar na
condição de contratar pelo menos 30 mil dos 300 mil desempregados que existem
no Distrito Federal”, cravou.
Entre as intervenções prioritárias, constam, por exemplo, a construção
do eixo viário conhecido como Nova Saída Norte, que liga o quadrante a
Brasília, e a revitalização do Setor Comercial, dos setores hospitalares Sul e
Norte e do Setor de Rádio e TV Sul. “Existem projetos aprovados, as licitações
estão prontas e serão lançadas entre março e abril. Isso dará uma nova visão
para o Plano Piloto”, explicou.
Ações em conjunto: Com a missão de incentivar e promover as
relações do setor produtivo e discutir temas políticos e econômicos, o Grupo de
Líderes Empresariais (Lide) conta com 40 empresas filiadas.
Memória - Caso na Justiça: O Centrad foi inaugurado em 31
de dezembro de 2014, último dia da gestão de Agnelo Queiroz (PT), mas, em
fevereiro de 2015, a Justiça cassou o habite-se concedido pela Administração
Regional de Taguatinga no governo anterior. A alegação do Ministério Público do
DF e Territórios (MPDFT), acatada pela Vara de Meio Ambiente e Desenvolvimento
Urbano, foi a de que não houve o cumprimento de todos os pré-requisitos legais.
De acordo com delações premiadas prestadas no âmbito da Lava-Jato e
homologadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-governador Agnelo Queiroz
(PT) e o então número dois do Palácio do Buriti, Tadeu Filippelli (MDB), são suspeitos
de receber propina a cada fase das obras, orçada inicialmente em R$ 660 milhões
e finalizada ao custo de R$ 1,1 bilhão. Os ex-governantes negam as
irregularidades.
(*) Ana Viriato – Fotos: Marcelo Ferreira/CB/D.A.Press -
Correio Braziliense