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A grita contra a “mulher bonita” de Lula

A grita contra a “mulher bonita” de Lula

A declaração de Lula por ocasião da escolha de Gleisi Hoffmann, como ministra da articulação política, gerou grande repercussão. O presidente disse que uma “mulher bonita” ia favorecer o entendimento no Congresso. Poucas vezes Lula foi tão criticado no país. Logo ele, com a exuberância de suas obras completas. 

O destaque ficou para a bancada feminina na imprensa. Várias dessas jornalistas que têm vivido a exaltar o governo petista, procurando formas de adocicar até a inflação, gritaram em uníssono contra o ato machista. Poxa, não dava pra quebrar mais esse galho?

Não, não deu. Uma delas chegou a exigir que o presidente se desculpasse com ela (a própria jornalista, não a Gleisi). Enquanto isso, tem uma ministra de Lula dizendo aos quatro ventos que foi assediada por um ex-ministro de Lula - e não se ouve grita alguma. Detalhe: era o ministro dos Direitos Humanos. 

O ministro foi demitido e o caso saiu das manchetes. O próprio ministro andou tentando acomodar as coisas com sua acusadora (uma delas), dizendo que ambos tinham sido vítimas de uma armadilha. Não colou. A acusação de assédio foi reiterada em público. Sem coro de indignação feminina na mídia. Vai ver que não há preparo suficiente ainda para proselitismo simultâneo (racial e sexual).

As redes sociais andaram inventariando a coleção de frases de Lula com sotaque machista. Não são poucas, são bem conhecidas e aqui podemos poupar o respeitável público de tamanha erudição. Mas nenhuma delas gerou a grita que sobreveio à “mulher bonita”.

Será que o feminismo adormecido acordou? Ou só desandou a falar dormindo? Não importa. Se a questão é humanitária, a conta do silêncio midiático já está bem alta. Que tal gritar contra os massacres de Maduro e a eleição roubada sob a vista grossa do Brasil? E o petismo com carta branca para bancar os terroristas do Hamas? E o apoio indefensável à ditadura de Ortega? São muitas as “mulheres bonitas” no campo da complacência autoritária. O Oscar não virou troféu para Lula, o “Sr. Democracia”? Será que todo esse silêncio é para não estragar a lenda?

De qualquer forma, todo despertar é bem-vindo. Pena que não tinha “mulher bonita” na planilha da Odebrecht.


Guilherme Fiuza – Foto: Ricardo Stuckert/PR – Gazeta do Povo




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