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O Teorema de Alckmin

O Teorema de Alckmin

Recém-convertido ao lulismo, Geraldo Alckmin parece já ter se graduado na escola. Diante da subida crescente dos preços, o vice-presidente da República defendeu a retirada de dois itens do cálculo do índice de inflação: alimentos e energia.

Alckmin foi modesto. Do jeito que está a escalada de preços, suprimir só alimento e energia não vai fazer efeito. Até recentemente, sustentando o discurso de respeito à meta de inflação, o governo parece ter resolvido rasgar a fantasia e ser feliz sem culpa. Agora, o estouro da meta tem sido encarado com mais naturalidade e alto astral. Talvez a preocupação de Alckmin nem seja necessária. 

De qualquer forma, se Lula quiser mudar o discurso - tá caro, não compra - para retomar a coreografia do controle inflacionário, a fórmula de Alckmin terá de ser aprimorada.

“Um governo que se iniciou com a abolição do teto de gastos precisa ser mais assertivo. Por que não lançar logo um arcabouço de preços?”

Assim como o arcabouço fiscal, não seria difícil explicar a medida à população. Se o primeiro queria dizer basicamente “acabou o teto, agora o céu é o limite”, o novo arcabouço poderia decretar: “tire a mão do bolso, que não tem nada aí”. 

Funcionaria de forma muito simples: o consumidor faria uma lista dos produtos que não consegue mais comprar e enviaria ao IBGE. O órgão oficial de estatística faria a tabulação, comporia uma planilha e estabeleceria um padrão personalizado. Em no máximo 30 dias, o consumidor receberia o seu índice particular de inflação - livre de todos os produtos onerosos que estragam o seu dia. 

Tudo resolvido: o cidadão ficaria à míngua na maior felicidade, sem o pesadelo da inflação alta consumindo os seus nervos. 

Parece que Alckmin pretende pedir ao Banco Central que estude a sua ideia. Como o BC é o órgão executor da política monetária e não tem nada a ver com o cálculo da inflação, supõe-se que o vice esteja sendo mais sagaz ainda do que pareceu à primeira vista: ele deve ter imaginado um combo - queda da inflação e dos juros numa canetada só. Faz sentido. Não há tempo a perder. Ele disse que nos EUA já é assim. Então está explicado o sucesso da maior economia do mundo. Por que o Brasil não pensou nisso antes?

Então vamos lá: alimentos, energia, moradia, combustível, vestuário, medicamentos, transporte, telefonia… Vamos contribuir com o Teorema de Alckmin e enfrentar a inflação pela primeira vez de forma efetiva no país, tirando do caminho todos os preços que teimam em subir, sabe-se lá por quê. Abaixo a inflação! Viva a astronomia!


Guilherme Fiuza – Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil – Gazeta do Povo




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