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O expurgo ideológico de Tarcísio de Freitas e a trava à direita

O expurgo ideológico de Tarcísio de Freitas e a trava à direita 

Em meu último artigo na Gazeta do Povo, ponderei que o trânsito em julgado do processo de Jair Bolsonaro impunha à direita uma encruzilhada política. Virar a página buscando uma unidade discursiva de oposição ao governo petista ou ter o ex-presidente como sua própria tornozeleira eletrônica. Se os integrantes desse grupo não parecem ainda dispostos a fazer tal escolha (e, cedo ou tarde, ela vai se impor), o bolsonarismo já fez a sua. Pelo menos aquele bolsonarismo que gravita em torno de Eduardo Bolsonaro. Para eles é um Bolsonaro ou nada. 


O empresário Paulo Figueiredo, cuja ascendência intelectual sobre Eduardo é evidente, já demarcou território. “Vai ter candidatura sim de um Bolsonaro”, disse durante uma de suas lives. Ainda aproveitou para fazer ameaças a quem eventualmente ousar infringir tal determinação. “Quanto tempo será que a gente vai demorar para a gente destruir um Ratinho Jr. pelo resto da vida? Quanto tempo a gente vai demorar para destruir qualquer outro candidato que tope fazer esse papel de candidato do sistema?

Caiados da vida? Quanto tempo? Eu acho que uma semana de internet a gente acaba com a reputação desse cara para ele nunca mais se eleger síndico de prédio”, falou.

 

"Tudo isso é menos sobre tentar vencer Lula e mais sobre manter a hegemonia política sobre o campo oposicionista, mesmo que o preço seja a reeleição do petista em 2026"

 

O “apito de cachorro” para o ataque já foi tocado há muito tempo. O próprio Eduardo é quem capitaneia o linchamento público daqueles que considera desertores de seus desígnios. O alvo principal, como já abordei em outras oportunidades, é o governador Tarcísio de Freitas. Por mais que esse silencie, tente ignorar e faça acenos de adesão cada vez mais enfáticos, é visto com crescente desconfiança. É o que chamei na coluna de “busca pelo bolsonarismo impossível”. 

 

Em uma entrevista para o UOL, Eduardo Bolsonaro voltou a fustigar o governador de São Paulo, agora o expurgando ideologicamente. “Não venham querer pintar o Tarcísio como uma pessoa de direita, porque ele não é. O Tarcísio é um tecnocrata de centro que, no cenário político, ele acha que ainda há margem para o diálogo com o Moraes”. Ao rotular Tarcísio, Eduardo define a janela de Overton sob seus próprios termos. 

O que se tem é, na prática, uma trava à direita. Na última semana, tive a oportunidade de conversar com um parlamentar do campo político de Bolsonaro. Ele admitiu o desejo de apoiar explicitamente Tarcísio, mas disse não fazê-lo pelo receio da reação contrária da militância. “Preciso antes que ele seja ungido”. Eduardo fará de turno para que isso não aconteça. E que não exista dúvida aqui: tudo isso é menos sobre tentar vencer Lula e mais sobre manter a hegemonia política sobre o campo oposicionista, mesmo que o preço seja a reeleição do petista em 2026.


Guilherme Macalossi - (Foto: Douglas Gomes/Lid Republicanos) - Gazeta do Povo 


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