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  • domingo, 3 de janeiro de 2016

    1,6 mil professores do DF devem se aposentar até o fim de 2016

    Grupo de professores durante assembleia em frente ao Buriti (Foto: Jéssica Nascimento/G1) Número equivale a 5,4% do efetivo; G1 obteve dado por Lei de Acesso. Secretário diz que só 496 servidores estarão aptos a encerrar carreira.


    Dados obtidos pelo G1 por meio da Lei de Acesso à Informação mostram que 1.609 professores da rede pública estarão aptos a se aposentar até o fim de 2016. O número representa 5,4% do efetivo atual, composto por 29.748 funcionários.

    O levantamento aponta que, caso não seja realizado nenhum concurso para a categoria, 11% dos professores do DF podem se retirar – cumprindo os requisitos para pedir aposentadoria por tempo de contribuição e idade – até o fim do mandato de Rodrigo Rollemberg, em 2018.

    O secretário de Educação do DF, Júlio Gregório, contestou o dado e afirmou que a pasta estima que só 496 professores teriam condições de deixar a sala de aula até o fim do ano.

    "Estamos trabalhando pra realizar um novo concurso, com contratação ainda no próximo ano letivo, inclusive com provas de redação”
    (Júlio Gregório, secretário de Educação)

    Novos professores
    Gregório informou ao G1 que um concurso para nomear novos professores está previsto para 2016. O objetivo do certame é reduzir o cenário de necessidade de mão de obra. “Estamos trabalhando para realizar um novo concurso, com contratação ainda no próximo ano letivo [2016], inclusive com provas de redação”, afirmou. “Temos que substituir os desligamentos definitivos por pessoas concursadas.”

    Gregório não informou o número de vagas que devem ser oferecidas, mas disse que que a prova já foi autorizada pela Secretária de Gestão Administrativa.

    “Quando sair o concurso, vai dar um ‘ibope’ imenso. Recebemos verdadeiras caravanas de candidatos. Em termos nacionais, o salário de Brasília é atrativo”, declarou. Na rede pública, o salário-base é de R$ 4,8 mil, fora benefícios.

    A diretora do Sindicato dos Professores (Sinpro) Nilza Santos, diz que a carência no setor é “muito grande”. “É uma questão estrutural. Tem que ter um concurso imediato e criar um banco para se contratar todo ano. Se aposenta um, deve entrar outro.”

    Nilza estima que o déficit de professores seria resolvido parcialmente com a contratação de pelo menos 3,5 mil concursados mais a substituição imediata de servidores que se desligassem da secretaria.

    "Tem que ter um concurso imediato e criar um banco para se contratar todo ano. Se aposenta um, deve entrar outro”
    (Nilza Santos, diretora do Sinpro)

    Atrativo
    O secretário de Educação disse enxergar com “preocupação” a falta de interesse de jovens por seguir a carreira no magistério. Para ele, a questão não será resolvida apenas ofertando maiores salários.

    “A ideia é mexer no currículo para tornar o trabalho do professor mais atrativo e menos exaustivo”, afirmou, mencionando também a diferença geracional que existe entre a categoria e os alunos – segundo ele, mais “conectados”.

    Na opinião de Júlio Gregório, tornar a carreira atrativa poderia mudar a realidade do dia a dia enfrentado pelos professores, considerado estressante. “Hoje há mais de 5 mil professores readaptados na rede [que deixaram a sala de aula e mudaram para outra área por motivo psicológico, como síndrome do pânico ou descompensação nervosa. É um número bastante elevado.”


    Fonte: Gabriel Luiz - Do G1 DF

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