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  • terça-feira, 22 de março de 2016

    Partindo o país - "A população deu e agora tomou"

    Somente o desprezo pelo Estado, incluídas todas as suas instituições, e, sobretudo, desdém pelos mais elementares direitos da nação, é que podem explicar a situação atual de derrocada total, tanto do Partido dos Trabalhadores, quanto de suas principais lideranças.

    As últimas manifestações de rua a favor do impeachment da presidente Dilma enterraram de vez, em cova rasa da indigência, 13 anos de um governo que, a princípio, poderia ter dado certo, devido ao grau de adesão de primeira hora do grosso da população às suas teses originais, dada à esperança de todo um povo em mudanças.

    O tempo, com seu ralador implacável, cuidou de transformar em farinha contaminada o índice de popularidade inédito, superior a 80%. A população deu e agora tomou. Perdeu o partido, com o carimbo duradouro do descrédito. Perdeu a sociedade, que terá de arcar com os prejuízos de terra arrasada deixada para trás e o tempo para reconstruir tudo novamente.

    Para a democracia em formação, a experiência renderá lições preciosas, principalmente um manual sobre o que não fazer. Piores, nessa experiência mal lograda e infeliz, serão as consequências para o conjunto da população sob a forma de uma cizânia belicosa.

    Sem dúvida, a maior herança maldita legada aos brasileiros foi cuidadosamente semeada, dia após dia, e tinha como objetivo claro, numa primeira fase, dividir para dominar. Posteriormente, essa tática divisionista viria a ser sistematicamente empregada como meio de desviar a atenção das pessoas para os reais problemas que surgiam à medida que as investigações policiais avançavam. Coxinhas, golpistas, nós contra eles, elite conservadora, brancos de olhos azuis e outros rótulos forjados a ferro e fogo como tatuagens.

    O mesmo separatismo foi utilizado, no passado, pelos nazistas, para dividir os arianos dos judeus, obrigados a trazer marcado na pele a estrela de Davi. Essa é, entre todos os legados, a verdadeira semente do mal. Essa é a mesma semente germinada recentemente nos Bálcãs e que custou centenas de milhares de vidas.

    Ao colocar o partido e seus ditames acima da vida e da dignidade humana, essa gente que agora se despede deixou à mostra seu desprezo pelo outro, tratado como inimigo a ser eliminado. De todas as acusações que poderão levar ao processo de impeachment desse governo, nenhuma é mais grave e mais nefasta, por seus efeitos deletérios do que induzir e lançar os brasileiros numa rinha fratricida e insana. Trata-se aqui de instigar e catalisar o genocídio, na sua forma mais cristalina, vista em diversos outros casos na história da humanidade.

    *****

    A frase que foi pronunciada
    “Cego é aquele que não vê seu próximo morrer de frio, de fome, de miséria. Surdo é aquele que não tem tempo de ouvir um desabafo de um amigo, ou o apelo de um irmão.”
    (Mario Quintana)




    Por: Circe Cunha – Coluna “Visto, lido e ouvido” – Ari Cunha – Correio Braziliense – Foto/Ilustração: Blog - Google

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