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  • terça-feira, 7 de junho de 2016

    Mané Garrincha, medalha de ouro da corrupção

    Construído para ser um dos palcos dos jogos da Copa do Mundo de 2014, o Estádio Mané Garrincha, com capacidade para 72.788, é, de longe, o monumento aos esportes mais polêmico e desnecessário já construído no país.

    Com uma média de US$ 11,4 mil gastos por assento, o estádio consumiu mais de US$ 830 milhões para ser erguido e se coloca em primeiríssimo lugar quando o assunto é o mais caro de todas as arenas construídas para receber os jogos da Copa. Em relação às arenas mundiais, é apontado como o terceiro estádio mais caro do mundo.

    A enorme fortuna vinda do contribuinte enterrada numa obra gigantesca, em pleno coração da capital, até hoje não justificou o investimento e, pior, vem dando sucessivos prejuízos para os cofres públicos.

    Sua manutenção custa ao contribuinte R$ 700 mil mensais. A monumentalidade da obra, projetada totalmente fora dos parâmetros estéticos da arquitetura da capital, chama a atenção de todos que passam naquela localidade por seu volume pesado, apoiado por dezenas de colunas, que lhe conferem um aspecto de objeto inerte, monstruoso e fechado.

    A altura do monumento também não respeitou os prédios em volta, o que acabou conferindo a esse mastodonte de concreto uma importância que absolutamente não possui nem para o governo nem para a cidade nem para sua arquitetura desengonçada.

    Não  bastassem essas características para torná-lo um autêntico elefante branco, essa arena foi erguida numa cidade que não tem nem nunca teve tradição no futebol. Não possui times de expressão nacional e os poucos que se arriscam nessa modalidade não conseguem atrair público para assistir a seus jogos.

    A situação beira o surreal: um estádio dessa magnitude, erguido numa localidade onde o futebol praticamente inexiste, em uma cidade onde a população padece de boa educação, boa saúde, segurança e transporte.

    Só é possível uma explicação para um fato tão inusitado quando se suspeita que por trás dessa construção tenha ocorrido grandes volumes de propinas e outras modalidades do esporte da corrupção e desvio de dinheiro em obras públicas. Atletismo com a corrida da corrupção onde a disputa se resumia em saber quem levava mais vantagens às custas de uma população inanimada ou talvez uma luta de boxe em que a ética e a moral sucumbiram no primeiro round. Pode-se pensar também num salto ornamental no qual não há como fugir da lei. Da lei da gravidade e se esborrachar como partido.

    Para não ter que arcar com todo esse gasto desnecessário, a equipe do governador Rodrigo Rollemberg, que herdou o paquiderme, tratou logo de mudar de finalidade, dando ao estádio a possibilidade de explorar outras fontes comerciais, como a criação de sala de cinema, teatro, academia, casa de shows. Mesmo essas atividades, pelas características de arena da obra, não parecem ter futuro promissor.

    Enquanto a solução comercial não surge ou mesmo as sanções penais dos autores desse monumento não acontecem, o estádio continuará a ser palco da selvageria de torcidas organizadas vindas de fora e que transformam aquela arena no que ela é de fato: um monumento ao desperdício e palco de luxo para a violência no futebol, dominada hoje por facções e hordas criminosas.

    ***

    A frase que não foi pronunciada
    “Vamos afundar o Brasil ou vamos refundar o Brasil?”
    (Sem ouvir direito a pergunta, alguém quis saber a resposta e também não entendeu.)


    Por: Circe Cunha – Coluna “Visto, lido e ouvido” – Ari Cunha – Correio Braziliense – Foto/Ilustração: Blog - Google

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