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  • quinta-feira, 7 de julho de 2016

    Flores brasilianas - Promessa de felicidade

    Por: Severino Francisco

    Ouvi vagamente o comentário de que um flamboaiã estava ameaçado. Espero que não seja aquele do Tribunal de Justiça na Praça do Buriti, pensei. Mas era ele mesmo. É uma das minhas árvores preferidas, passo por lá durante várias horas do dia e gosto de mirar o céu sob a perspectiva do flamboaiã. Já vi a Lua, as estrelas e as nuvens enganchadas em seus galhos.

    Os sucessivos governos adiam problemas graves, mas, árvore em Brasília é um assunto sério. Todos plantam alguma e, se sofrem avarias ou agressões, as autoridades são obrigadas a se pronunciar. Até o TJDFT se manifestou sobre o flamboaiã por meio de nota no site oficial: O TJDFT aguarda laudo da Novacap, que tomou algumas providências de forma a resguardar a segurança das pessoas que transitam pelo local.

    O comunicado informa que, nas proximidades, há relatos de pessoas que utilizam a sombra da imensa árvore para descansar. Confirmo: já vi vários trabalhadores tirando uma soneca embaixo do flamboaiã, depois do almoço, sob o risco de a Lua, as estrelas ou as nuvens do parágrafo anterior desabarem sobre suas cabeças.

    Engenheiros da Novacap realizaram vistoria no local para verificar as condições do flamboaiã. Na ocasião, informaram do risco, a área foi isolada, a árvore foi escorada de modo a aliviar o peso e os galhos secos foram podados.O TJDFT tomou as providências cabíveis na tentativa de salvar o flamboaiã, atacado por fungos. Uma bióloga foi convocada para fazer um diagnóstico, mas não obteve êxito e será feita uma nova avaliação.

    Seria bom se os engenheiros agrônomos Francisco Osanan e Guarany Cabral de Lavor estivessem vivos para cuidar do caso. Tive o privilégio de conviver bastante com o doutor Guarany, sertanejo cearense bravo que cuidou com tal zelo das plantas da cidade, que recebeu o apelido de Pai das árvores. Ele defendia as árvores com destemor, mas tinha fatalismo de sertanejo cearense. Quando chegava à conclusão de que não havia mais nada a fazer, decidia pela derrubada, pois, algumas vezes, as plantas representavam ameaça à segurança dos cidadãos:Não adianta manter uma árvore se ela pode cair, machucar ou matar um adulto ou uma criança.

    O flamboaiã, a árvore chamejante, é de Madagascar, mas ganhou plena cidadania candanga ao ser transplantada para os espaços largos da capital modernista. Às vezes, fico devaneando sobre como a presença das árvores mudou a nossa relação com Brasília. Sem elas, talvez não suportaríamos o embate cotidiano com o espaço. Além da sombra e da beleza, as árvores têm uma função importante: ajudam a escorar o céu escancarado de Brasília. Nos deixam menos desamparados.

    Estava de carro com a minha filha pela cidade quando passamos por uma alameda de flamboaiãs próximo à W3 Sul. As árvores se derramavam pela pista com todo fulgor. Ela comentou que gostava quando a cidade ficava carregada de flores porque parece que tudo vai dar certo em minha vida. De fato, as flores brasilianas são uma promessa de felicidade.

    Por: Severino Francisco – Colunista - Correio Braziliense – Fotos/Ilustração: Blog - Google

    Um comentário:

    1. Belíssima abordagem. Essa árvorew em frente ao Tribunal de Jusiça é simplesmente linda. E é um prêmio ao nosso olhar, quando em outras pairagens encontramos mais e mais belezas da natureza. Concordo plenamente com o que disse. Sem elas, creio que não resistiríamos às caixas de concreto.

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