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  • sábado, 10 de setembro de 2016

    Palmas para a Polícia Federal

    Por: André Gustavo Stump 

    Não me lembro de ter visto, aqui ou em outro lugar, policiais serem aplaudidos com vigor e decisão pelo povo. Aconteceu no desfile de Sete de Setembro. Inesperado. Superou os previsíveis protestos do Fora Temer e as respostas, também previsíveis, de que a nova bandeira jamais será vermelha. Policial sendo aplaudido, convenhamos, é novidade. Brasileiros renderam-se aos feitos da Polícia Federal que não tortura, não bate, nem faz escândalos. Apenas investiga, prende e coloca o indigitado cidadão à disposição da Justiça.

    A situação é nova. Tão nova que a direção da Polícia Federal colocou uma mensagem de agradecimento no site da instituição. Os brasileiros perceberam que a Operação Lava-Jato está revelando o Brasil real. Os políticos perderam a capacidade de mentir, desviar verbas e manipular a realidade. Foi a PF que abriu a cortina dos imensos malfeitos na administração nacional. E o pessoal gostou. Os aplausos superaram as vaias e outras palavras de ordem. O brasileiro quer paz, tranquilidade e colocar os maus políticos na cadeia.

    O dia seguinte ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff revela um país meio perdido entre as novidades. Desde 2014, o país não vive uma semana tranquila, seja na política, seja na economia. Os sustos foram recorrentes, o dólar explodiu, passou de R$ 4, a economia encolheu, o país mergulhou na recessão e o desemprego atingiu números alarmantes. O Partido dos Trabalhadores foi atingido no seu âmago. Seus três últimos tesoureiros estão processados. Alguns deles, presos. A antiga diretoria está sentenciada e atrás das grades. Grandes empreiteiros estão passando férias na penitenciária de Curitiba.

    Muita coisa mudou nos últimos dois anos. Um tempo vai passar até que todas as consequências sejam devidamente digeridas. É o momento de lamber feridas e tentar imaginar o que vem por aí. O tempo de mentir passou. As promessas de boa educação, emprego farto e ampla atuação do estado do bem-estar social se perderam na poeira da história. O país está quebrado, sobrevivendo com um deficit orçamentário de R$ 170 bilhões. Os maiores fundos de pensão foram saqueados por dirigentes indicados pelo PT. O dinheiro sumiu.

    É difícil conviver com uma tragédia destas proporções. O Brasil da propaganda oficial informava a existência de uma sociedade livre, leve, risonha e feliz. Ascensão social garantida e economia em franco progresso. Nada disso ocorreu. O país regrediu. Perdeu posições no ranking das maiores economias do mundo. Perdeu, também, os graus de investimento atribuídos pelas principais agências internacionais de risco. Depois do impeachment, a votação da cassação de Eduardo Cunha entra na ordem do dia. E a crise política retoma sua dimensão.

    Os exaltados da política tendem a convergir para uma posição de menor visibilidade. Todos estão contabilizando prejuízos. Eles serão mais evidentes depois que as urnas forem abertas. Os vitoriosos nos municípios terão meios e modos para influir no surgimento líderes que vão substituir os atuais. O governo Temer, que será a ponte para o futuro, é o derradeiro protagonista da geração da Constituinte de 88. O PT não conseguiu fazer com que seu modelo ganhasse pernas e fosse sustentável. O modelo de socialismo do século passado não mais se aplica nem mesmo aos países retrógados da América Latina.

    As Olimpíadas e as Paralimpíadas trouxeram novo ânimo e melhoraram a autoestima do brasileiro. Os jogos foram bem avaliados no mundo inteiro. As festas de abertura e encerramento foram espetaculares. O brasileiro gostou de exibir iniciativas bem sucedidas. Atribuir responsabilidade pelo fracasso a terceiros já não funciona. As pessoas querem bons resultados. Escolas públicas eficientes, instituições que funcionam e, naturalmente, policia que investiga, prende e processa. No mundo desenvolvido é assim.

    O Brasil vai redescobrir o país normal nos próximos tempos. As manifestações vão diminuir de tamanho à medida  que o governo injetar recursos em organizações matrizes. Foi assim que o PT silenciou instituições históricas, como, por exemplo, a União Nacional dos Estudantes (UNE). Michel Temer chegou de mansinho à reunião do G-20 na China. Passou a integrar a turma dos poderosos. O país precisa retornar aos principais salões da economia internacional. Mas a síntese de tudo o que aconteceu no Brasil, nos últimos dias, foi o generoso e espontâneo aplauso que os populares dedicaram aos policiais federais na parada de Sete de Setembro.


    Por: André Gustavo Stump - Jornalista - Fotos/Ilustração: Blog - Google

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