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  • quarta-feira, 23 de novembro de 2016

    #UNB Fica, Chico!!!

    Li com espanto a notícia de que a UnB pretende desalojar ou realocar a Livraria do Chico, instalada no Minhocão. A história de Francisco Joaquim de Carvalho é tão colada à da Universidade de Brasília que virou sobrenome: Chiquinho da UnB. Ele é um piauiense virador, que não teve acesso às universidades pelas vias convencionais, mas foi salvo pelo contato com os livros.

    O convívio cotidiano com os melhores professores da UnB, ao longo de quase quatro décadas, fez com que Chiquinho conhecesse as obras essenciais das áreas de sociologia, antropologia, comunicação, história e literatura. Aprendeu tudo de maneira autodidata, com atenção aos mestres, viagens a bienais, participação em feiras literárias e encontros científicos. Coleciona 500 autógrafos de grandes ensaístas e escritores como se fossem documentos de vida, entre eles José Saramago, Milton Santos, Edgar Morin e Cornelius Castoriadis.

    Em 1974, disputou um concurso para saber quem era o maior vendedor de jornais de Brasília. Ele trabalhava na Banca da Dona Chica, no Minhocão Norte, da UnB. Vendeu 500 jornais e faturou o prêmio. Lá, afiou a lábia e a observação sobre a psicologia dos clientes.

    Na década de 1980, iniciou o contato com os livros e trabalhou em algumas das mais importantes livrarias da cidade naquela década: a Galileu, a Literatura — Loja de Livros e a Livraria Rodoviária. Mas, logo em seguida, percebeu que era bom vender livro de mão em mão. Em 1989, ganhou espaço para uma livraria no Minhocão, onde conquistou uma legião de admiradores entre alunos e professores.

    Retirar a Livraria do Chico do Minhocão é, guardadas as devidas proporções, a mesma coisa que realocar o Beirute da 109 Sul para o Setor de Boêmia Norte. Sem ter nenhum diploma acadêmico, Chiquinho é um agente de educação informal. O trabalho do Chiquinho é de utilidade pública. Em tempos de dispersão da internet e culto de bobagens, ele promove a leitura, encontra os livros difíceis onde eles estiverem e indica obras fundamentais para os alunos.

    O argumento de que a universidade pretende resgatar e preservar a obra arquitetônica de Oscar Niemeyer de descaracterizações é discutível. Os espaços da UnB apresentam problemas na fiação elétrica, na estrutura de concreto e na conservação dos banheiros. Transferir para a Livraria do Chico todas as mazelas me parece um exagero e uma injustiça. Aquela livraria plantada no Minhocão humaniza a UnB.

    Não se destrói uma referência tão forte impunemente. Colocar no mesmo saco a comercialização de alimentos, os quiosques e a Livraria do Chico é um ato de insensibilidade. Ele trabalha com o saber, que é a alma e a razão de ser da universidade. Não faz sentido a instituição criar um personagem tão interessante e descartá-lo. Merece um tratamento especial. O que a UnB deveria fazer é tombar o Chiquinho na condição de patrimônio histórico e cultural da universidade.

    Aquele Minhocão sem a Livraria do Chico ficará mais árido do que uma paisagem lunar. Não sei não, mas a minha internet espiritual me diz que, se Darcy Ribeiro, o criador da UnB, estivesse vivo, ele ficaria do lado do Chico.


    (*) Severino Francisco – Jornalista, colunista do Correio Braziliense – Foto/Ilustração: Blog – Google -  Mariana Costa/UnB Agência

    Um comentário:

    1. Grande Chiquinho... Fui um dos proprietários da Literatura - Loja de Livros, juntamente com o Kleber Lima. Sou testemunha do apreço que o Chiquinho tem pela cultura, em especial pelos livros, que são a sua vida.

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