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  • domingo, 11 de dezembro de 2016

    Que saudade do nosso Teatro Nacional

    TNCS - Sala Martins Pena

    Por Jane Godoy,

    Projetado por Oscar Niemeyer, a construção do Teatro Nacional teve início em 30 de julho de 1960, tendo a estrutura pronta em 30 de janeiro de 1961. A obra ficou parada por cinco anos, até que a Sala Martins Pena foi concluída em 1966, ficando em atividades por 10 anos, até que foi fechada para reformas, até que a finalização e reinauguração do teatro aconteceu em 21 de abril de 1981. Além da Sala Martins Pena, o teatro tem mais duas: a Villa-Lobos e a menor de todas, a Alberto Nepomuceno. Nelas, realizavam-se, ao longo de todo o ano, numerosos atos e representações culturais.

    Em seu suntuoso foyer e mezzanino, aconteciam exposições de arte, em seus mais diversos segmentos. Hoje, infelizmente, o nosso #TNCS  - Teatro Nacional Claudio Santoro faz parte da lista de pontos mortos de Brasília, na qual todas essas lembranças artísticas e culturais estão enterradas. Sem perspectiva de ressuscitação, em nome de uma crise sem fim. E o seu estado de deterioração e abandono segue célere, comprometendo, até mesmo a sua monumental e elaborada estrutura.

    Não consigo passar à sua frente ou na lateral, no Eixo Monumental, sem voltar meus olhos e meu pensamento para aquela pirâmide que, ao contrário de suas iguais, lá no Egito, sobrevivem e se impõem historicamente há milhares de anos. Aí me vem a preocupação quanto ao futuro do nosso teatro, sua deterioração, o quanto tudo lá dentro deve estar se estragando, não só os equipamentos, como aparelhos e refletores, poltronas, que antes já estavam puídas e pedindo outras, carpete e muito, muito mais.

    Agora, que perdemos a nossa musa da ópera brasiliense, Asta-Rose Alcaide, a maior entusiasta e fundadora da Associação Ópera de Brasília que, além de bailarina clássica no passado, casada com um maestro português, tinha ouvido absoluto e sempre reclamava da acústica do teatro, que achava péssima e inadequada, desde que ele foi construído. “Eles não contrataram e nem ouviram um técnico em acústica para essa sala Villa-Lobos e esses mil e duzentos lugares” me dizia ela, com aqueles olhos azuis enfurecidos, demonstrando a sua indignação quanto ao descaso com o principal teatro de Brasília.

    No que eu lhe dava toda razão. Hoje, com o teatro lacrado desde o governo Agnelo Queiroz, em janeiro de 2014, “ainda não concluída por limitações orçamentárias e por inexistência de priorização governamental quanto ao assunto” temos que conviver com a sentença de que “não há previsão para a reabertura do espaço”.

    O pior disso tudo é que, em razão da baixa movimentação de pessoas nas imediações externas do teatro e da ausência de segurança e de fiscalização, aquela área se tornou ponto frequente para usuários de drogas. Uma temeridade para quem passa por ali.

    Com isso e por causa disso, a desilusão dos brasilienses, idealistas e amantes da cultura e das artes, vão se desencantando cada vez mais com a situação, perdendo o entusiasmo e a esperança, diante de total impotência e impossibilidade de nada poder fazer, a não ser, lamentar.

    Fique firme, Teatro Nacional Claudio Santoro. Não sucumba. Quem sabe um dia poderemos assistir à sua redenção?

    Desde menina aprendi a ter esperança e a acreditar que dias melhores virão. Para nós e para você. Que Asta-Rose Alcaide, lá de cima, interceda por esse espaço que ela tanto amava e onde tinha cadeira cativa.



    (*) Jane Godoy – Coluna 360 Graus – Foto: Iano Andrade/CB/D.A. Press – Correio Braziliense

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