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  • segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

    Rollemberg e a importância de ser honesto


    Por Leonardo Mota Neto, 

    O escritor inglês Oscar Wilde esculpiu uma metáfora imortal com sua farsa A importância de ser Ernesto. Era um personagem real daqueles tempos da rainha Vitória o qual se destacava por sua prudência. Mais tarde, a peça foi transformada em filme, que ganhou um título ainda mais real: A importância de ser honesto. Temos aí o nosso gancho: ser honesto é a evolução de ser prudente. Aplica-se tanto à Inglaterra da era vitoriana quanto ao Brasil nesses tempos desavindos de honestidade. Finalmente, aplica-se a Brasília, capital derivada de um país à deriva.

    Estamos no topo da montanha e não enxergamos o horizonte de mudanças do país e de Brasília, prometido pelos constituintes de 1988. Depois de 28 anos, a autonomia política da capital da República vaga entre o pior e o péssimo, tal qual o bom é inimigo do ótimo. A montanha pariu um rato ao vermos a autonomia política, transformada em eleições diretas para governador e Câmara Legislativa, chafurdar na lama dos interesses paroquiais, imediatistas, mesquinhos, corporativistas e cartelizados.

    A Câmara Legislativa do DF está mais uma vez no centro gravitacional desse dilema de Brasília com suas próximas eleições para a Mesa Diretora. O futuro presidente, a ser eleito por seus pares, será um marco divisório de um processo autonomista que poderá chegar ao ápice da involução ou às faldas de um movimento de regeneração após os escândalos que abalaram o Legislativo local.

    Faz-se urgente um impulso reativo por meio de um sopro corajoso de renovação. Precisamos de gente não só prudente, mas, sobretudo, honesta. O governador Rodrigo Rollemberg é um eleitor qualificado desse processo eleitoral. Deseja manter equidistância (que Marco Maciel chamava de equipotência), mas a hora turva que o Brasil e Brasília enfrentam não concede a ele o luxo de lavar as mãos numa escolha que definirá se caminharemos para o topo ou se voltaremos ao sopé da autonomia política, a antes de 1988.

    Entre a transparência e o embuste, a ascensão e a queda, faça o seu jogo, governador, e tome à mão um candidato que reflita o anseio da sociedade civil e militar também — para sair do torvelinho das operações quase diárias, das delações, do vazamento de fitas gravadas sem autorização da Justiça, das conduções coercitivas, das prisões que envergonham vizinhos e amigos. E, ao escolher seu candidato, governador, pince um representante do povo na CLDF que seja sério, trabalhador, que inaugure o diálogo com todas as tendências político-partidárias e sociais, e que seja não só prudente, mas honesto.

    E que esse nome, eleito com o seu apoio vital, a partir de janeiro possa contribuir intensamente para a governabilidade do DF, até hoje em farrapos. Aos deputados distritais, não será menos espinhosa a missão que se avizinha no dia 15. Irão votar no nome de seu novo presidente como ceifeiros que escoimam o trigo, separando-o do joio. Será uma oportunidade histórica para proverem uma virada no conceito derrisório que a opinião pública do Distrito Federal nutre a respeito de seus representantes, com raras exceções.

    Existem bons nomes, desde os prudentes aos honestos. Não se precisa da lanterna de Diógenes para identificá-los. Basta os partidos e os blocos porem de lado a sedução do vício de se aninhar no facilitário, procurando os que lhes darão mais vantagens, numa perversa repetição da Lei de Gerson, que aflige todo o sistema político-parlamentar brasileiro.

    Com um presidente que paire sobre as sombras das operações matutinas da Polícia e Receita Federal, porque tem currículo e folha corrida limpa, a Câmara Legislativa será o símbolo do reencontro de Brasília com a finalidade para a qual foi imaginada — uma cidade de excelência, não de excelências. É uma exigência da sociedade, não um rogo, não um reclamo, que o próximo presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal não tenha apontado contra si nenhum processo criminal ou dolo eleitoral, por mais leve que seja.



     (*)  Leonardo Mota Neto - Jornalista

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