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  • domingo, 22 de janeiro de 2017

    As aves do cerrado


    Por Severino Francisco,

    O que confere beleza, singularidade, distinção e charme ao condomínio onde moro é a mata cerrada muito próxima, impondo uma convivência cotidiana com animais silvestres. Se você chegar à noite, vai se deparar com alguma coruja buraqueira, enterrada nos vãos do calçamento, com os olhos alumiados. Quando o carro está bem em cima, quase atropelando, ela voa abruptamente, com um facho intenso de luz voltando dos olhos, como se fosse um farol.

    Nos céus, costuma planar como uma asa delta o gavião de cauda curta ou o carcará procurando alguma presa para atacar. Mas, apesar de toda a fúria predadora, é possível avistar o caracará perseguido em pleno voo por tesourinhas, bem-te-vis e até beija-flores em defesa dos seus ninhos. Certo dia, acordei cedo, olhei para o quintal e me surpreendi com a visão de várias penas brancas flutuando e pousando levemente no chão.

    Era um gavião devorando algum pássaro. Em um primeiro momento, cogitei dar uma tremenda bronca no bicho, mas logo, em um acesso de sensatez, eu me lembrei do personagem Américo Pisca-Pisca, de Monteiro Lobato. Ele queria reformar a natureza e imaginou colocar as melancias no alto das árvores e as jabuticabeiras nas ramas rasteiras. Até que dormiu embaixo de uma jabuticabeira, uma frutinha caiu-lhe na cabeça e ele desistiu de reformar a natureza. Sigamos os pássaros.

    Com seu voo elétrico, os beija-flores dão o ar de sua graça. Em nosso território, somos agraciados com o beija-flor-do-rabo-branco, o beija-flor-tesoura e o beija-flor-de-garganta-verde. Vocês sabiam que os beija-flores visitam cerca de mil flores por dia para adquirir a grande quantidade de néctar de que necessitam?

    Somos brindados, ainda, com as visitas da pomba-asa-branca, da juriti-pupu, do periquitão-maracanã, do periquito-de-encontro-amarelo, da alma-de-gato, do anu-preto, do anu-branco, dos tucanos, do pica-pau-verde-barrado, do pica-pau-de-banda-branca, do joão-de-barro, do bem-te-vi, do suiriri, da tesourinha, da andorinha-pequena-de-casa, da curruíra, do sabiá-laranjeira, do sabiá-de-barranco, da cambacica, do saí-azul, do sanhaço-cinzento, do coleiro-baiano e do Fim-fim, entre outros. Só os nomes deles são musicais e parecem pedaços de um poema de Guimarães Rosa.

    Modéstia à parte, nosso condomínio tem uma tradição de consciência e luta em defesa do meio ambiente. Se não fosse a mobilização e a ação destemida dos moradores, os grileiros já teriam destruído aquela bela mata, nossa maior riqueza. E toda a sapiência ecológica que ostentei, eu surrupiei descaradamente de uma magnífica cartilha sobre os pássaros do Condomínio Quintas Bela Vista, elaborada por uma equipe constituída por Shirley Hauff (bióloga), Sandro Barata (fotógrafo), Gilberto Lacerda (pedagogo) e Sérgio Garschagen (jornalista). Eles conseguiram elaborar um guia, ao mesmo tempo, científico e lírico: O canto do Bela Vista.

    O guia nos ensina que, pela observação dos pássaros, nós podemos aprender muito sobre as condições de tempo, as estações, a diversidade e a qualidade de nosso meio ambiente. Alguns desses pássaros poderiam tocar no Clube do Choro ou no Porão do Rock. Canto de passarinho é sempre uma promessa de felicidade.




    (*) Severino Francisco, é jornalista, colunista do Correio Braziliense – Foto/Ilustração: Blog - Google

    Um comentário:

    1. Começaria por agradecer o Severino por reviver as minhas lembranças do Bela Vista, daqui do Sul Maravilha, lembrando ainda que o Gilberto e a Shirley foram de fato, ao lado do fotógrafo, os artífices do livreto.

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