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  • domingo, 22 de janeiro de 2017

    #História: "Os croquis do Palácio Itamaraty" - (Ana Cristina Ramos guarda em casa as pranchas com os desenhos do Itamaraty entregues por Oscar Niemeyer a Milton Ramos para o detalhamento do projeto)

                 Imagem registrada por Milton Ramos durante a construção do Itamaraty
                  Os croquis em papel vegetal preservados na casa projetada por Ramos

    Por Nahima Maciel,  

    Milton Ramos tinha ciúmes dos croquis recebidos de Oscar Niemeyer para realizar o projeto executivo do Palácio do Itamaraty. O conjunto de folhas em papel vegetal, muito finas e transparentes, traz os desenhos do arquiteto realizados em 1963, e estão guardados em um rolo de papelão no qual Ramos pregou um papel explicando como recebeu os desenhos e com qual propósito. É um tesouro que Ana Cristina Ramos, filha do arquiteto, guarda com carinho na casa projetada por ele no Lago Sul. “A esses desenhos, quase ninguém teve acesso”, explica a também arquiteta.

    Em julho de 2017, o Itamaraty completa 50 anos e os croquis devem ser cedidos para uma primeira exposição. Mas há muito Ana Cristina procura uma forma de preservar e tornar mais acessível o material. Em casa, ela guarda dezenas de caixas com plantas feitas pelo pai para projetos na capital e faz questão de disponibilizar o acervo para estudantes de arquitetura.

    Os croquis do Itamaraty são muito frágeis, estão desgastados e podem rasgar com facilidade, por isso, costumam ficar guardados, mas a arquiteta gostaria que eles também estivessem acessíveis em algum formato digital. “A preocupação existe porque é um material que vai se deteriorar. A forma de preservar é fotografar. Digitalizar é até perigoso”, lamenta.

    Milton Ramos integrava a equipe de Niemeyer na construção dos monumentos de Brasília. São dele tanto o detalhamento do Itamaraty quanto o do Teatro Nacional, além de vários prédios residenciais nas 400 e alguns nas 200. Os desenhos de Niemeyer para o Itamaraty são uma espécie de ponto de partida. “O croqui é um risco básico que vai dar origem a uma obra. É a primeira ideia que você joga no papel em forma de rascunho para dar origem ao projeto”, explica Ana Cristina. “Do croqui, vai evoluindo para um projeto básico que depois se torna um projeto executivo. Meu pai teve uma participação muito importante no desenrolar.”

    Ana Cristina Ramos guarda em casa as pranchas com os desenhos do Itamaraty entregues por Oscar Niemeyer a Milton Ramos para o detalhamento do projeto
    O detalhamento feito por Oscar Niemeyer para os croquis - Ana Cristina Ramos guarda os croquis em casa 
    Ângulos

    Além dos croquis, o acervo conta com as plantas detalhadas do projeto e uma série de fotografias históricas e raras feitas pelo próprio Milton Ramos. São imagens em preto e branco realizadas ao longo da obra, de vários ângulos e com perspectivas inéditas impossíveis de serem repetidas com o edifício já concluído.

    Vê-se, por exemplo, as obras do Congresso Nacional através dos arcos frontais do então esqueleto do Itamaraty e um conjunto de luzes e sombras possíveis apenas porque o concreto ainda não havia sido preenchido com vidros e revestimentos. Ramos também chegou a produzir uma maquete dos arcos em tamanho original, em madeira. Ana Cristina guarda os recortes de jornais com as notícias da empreitada monumental.

    Milton Ramos Arquiteto essencial
    Nascido no Rio de Janeiro em 1929 e morto em Brasília em 2008, Milton Ramos foi um dos nomes essenciais entre os arquitetos que trabalharam com Oscar Niemeyer na concretização da capital. O arquiteto desembarcou no Planalto Central em 1959 para trabalhar na Construtora Pederneiras S.A, responsável pela construção de vários prédios da cidade. Ramos trabalhou no detalhamento de edifícios importantes assinados por Niemeyer, como o Hospital Distrital de Brasília (HDB) e a residência de Oscar Niemeyer, no Park Way, além do Itamaraty e do Teatro Nacional. Nos anos 1970, depois de deixar a Pederneiras, ele abriu um escritório e passou a realizar os próprios projetos. Entre eles estão o Anexo do Teatro Nacional e a sede do Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal, além de residências particulares. Também é de Ramos o detalhamento da Biblioteca Central da Universidade de Brasília (BC-UnB), um projeto de José Galbinski e Milton Alves Ferreira.


    (*) Nahima Maciel – Fotos: Bárbara Cabral/Esp.CB/D.A.Press – Correio Braziliense

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