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  • segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

    Uma belíssima lição de vida, num diálogo entre o Homem e a Natureza

    O advogado, administrador de empresas e poeta carioca Evanir José Ribeiro da Fonseca, no poema ”Clamor”, idealizou um diálogo entre o homem e a natureza.
    CLAMOR
    (Evanir Fonseca)

    Como vais, homem?
    Ainda tentando?
    Não desistas,
    mas de antemão digo-te:
    mesmo que uses
    mãos, pés e ouvidos
    sob sentidos e inspirações
    criando máquinas,
    novas imagens e sons,
    nunca me imitarás.
    Pois te criei,
    te dei luz e sentidos.
    Fiz as cores não de tinta,
    mas de sentimento.
    O som, não do barulho,
    mas do clamor da beleza natural,
    que pede para ser ouvida.
    Como vais, homem?
    Ainda tentando?
    Tenta, mas peço-te:
    preserves minhas obras-primas,
    não silencies a beleza natural,
    criei-te, mas não destruas
    a minha imagem que está em ti.
    Tu és homem.
    Lembra-te:
    as máquinas não amam,
    teus quadros não têm aroma,
    teus sons não voam,
    não correm e nem morrem.
    Tu és homem,
    eu a natureza.
    Ama-me como te amo.
    Ajuda-me que criarás.

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