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  • quarta-feira, 7 de junho de 2017

    Brasília, cidade do design

    *Por Rodrigo Rollemberg 

    Ícone da arquitetura moderna, Brasília conecta-se com design e arte desde a inauguração, abrigando múltiplas experiências. Essa trajetória nos anima hoje a lançar a candidatura de Brasília à Rede de Cidades Criativas, da Unesco, na categoria design, e desejar interagir com o seleto grupo de 116 cidades de 54 países.

    Criada há 13 anos, a rede se estrutura em sete áreas criativas: artesanato e artes folclóricas, artes de mídia, cinema, design, gastronomia, literatura e música. Curitiba, uma das cinco cidades brasileiras integrantes da rede, foi aceita em design. A gastronomia garantiu a presença de Florianópolis e de Belém. Salvador foi reconhecida pela música, e Santos, por cinema.

    As 116 cidades compartilham o compromisso de priorizar a criatividade como fator impulsionador do desenvolvimento sustentável, da inclusão social e da cultura. Objetivos que dialogam com a Agenda para o Desenvolvimento Sustentável 2030 e a Nova Agenda Urbana.

    No caso de Brasília, integrar a Rede de Cidade Criativas permitirá olhar para os desafios da preservação deste patrimônio cultural da humanidade de modo a ampliar a inclusão e a sustentabilidade por meio do incentivo ainda maior ao desenvolvimento da economia criativa do setor design.

    Brasília tem história no design. Nasceu rompendo com os padrões arquitetônicos da época e ganhou notoriedade com as curvas, o concreto, os grandes espaços vazios das obras do arquiteto Oscar Niemeyer. O projeto urbanístico de Lucio Costa foi consagrado patrimônio cultural da humanidade pela própria Unesco, 30 anos atrás, título inédito para uma cidade tão jovem.

    À arquitetura monumental e ao traçado urbanístico agregam-se variadas criações que dão identidade a Brasília, a exemplo das superquadras do Plano Piloto, das tesourinhas nas vias de acesso às residências e aos comércios, das placas de sinalização urbana, dos cobogós que arejam e iluminam os prédios residenciais enquanto produzem efeitos curiosos de luz e sombra, dos painéis do artista plástico Athos Bulcão.

    O artista até hoje instiga visitantes que, propositalmente, querem conhecer seu trabalho popularizado em azulejos ou transeuntes que se deparam com sua obra espalhada por fachadas ou interiores de prédios. Quem passa pelo Eixo Monumental a pé, de bicicleta ou em um veículo, avista uma das suas principais contribuições numa lateral inteira do Teatro Nacional. Outros tantos espaços públicos (a Igrejinha, a Câmara dos Deputados, o Palácio do Planalto, o Itamaraty, a Universidade de Brasília) tiveram o privilégio de contar com alguma intervenção de Athos.

    Igualmente integradas à paisagem urbana, as placas de sinalização de Brasília são criação genuinamente candanga, assinada pelo arquiteto Danilo Barbosa, funcionário do governo de Brasília que usou linguagem minimalista e conceitos para cores e sentido das setas, de rápida compreensão por pedestres e motoristas. Enche-nos de orgulho ver uma réplica desse conjunto compor o acervo do Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMa).

    Brasília é fruto da inspiração de grandes homens, mas também é fonte de inspiração a designers independentes e coletivos de criadores que se apropriam de elementos simbólicos da paisagem urbana brasiliense para produzir novos objetos e múltiplas linguagens. Estão ganhando mercado com móveis, joias, suvenires, moda, filmes, músicas.

    Em quatro anos, a partir da chancela da Unesco, o Governo de Brasília investirá recursos e criará políticas públicas específicas para impulsionar ainda mais tais iniciativas promissoras e toda a cadeia de economia criativa do design.

    Os investimentos impactarão a qualidade de vida da população, que se relaciona de forma diferenciada com a cidade e está ávida por novas experiências. Deixou de ser algo puramente contemplativo. As pessoas apropriam-se de espaços públicos e os transformam em destino de lazer e prática de esportes. O Setor Comercial Sul, por exemplo, sempre foi referência, principalmente como centro econômico da cidade. Com a revitalização em curso, o SCS é vivenciado também como ponto de cultura.

    Entretanto, a experiência mais revolucionária na forma de o cidadão interagir com a cidade é a ocupação pública da orla do Lago Paranoá. Demos passos decisivos, retomando áreas públicas indevidamente ocupadas às margens do lago e instalando infraestrutura inicial, como o recém-inaugurado Parque dos Pioneiros Claudio Sant'Anna e ciclovias no Lago Sul. O próximo investimento será na área conhecida por piscinão do Lago Norte e, em breve, lançaremos concurso internacional para seleção de propostas de intervenções inovadoras, com transformações urbanas e sociais, ao longo de 38km de orla.

    De novo, recorremos a concurso público, instrumento consagrado na escolha do projeto urbanístico do Lucio Costa e empregado também neste governo para execução de várias políticas públicas. Essa ferramenta de governança se aglutina às constantes consultas públicas para incorporar a voz da população ao desenho dos projetos urbanos.

    Exemplo de construção participativa de uma política pública na cidade, o Plano de Turismo Criativo é produto de 12 oficinas, dois seminários e sete encontros para reposicionar Brasília como polo de turismo sustentável. Precisamos de novo do engajamento da sociedade civil e da iniciativa privada. Desta vez, na defesa da candidatura de Brasília como cidade criativa do design. Compartilhe essa ideia.

    (*) Rodrigo Rollemberg - Governador de Brasília




    Foto: Bento Viana - Ilustração: Blog


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