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  • segunda-feira, 24 de julho de 2017

    Ao mestre Ari, com carinho

    Ari Cunha e filha Circe Cunha

    *Por Ana Dubeux

    O humor parece ter nascido com ele. O jornalismo, também. O resultado dessa junção sai da boca, com frases incríveis. E sai dos dedos — disse ele, certa vez que decidiu escrever para dar-lhes asas. Talvez por isso seja o colunista mais longevo do país, creio eu, com espaço cativo há 57 anos. Estou falando de Ari Cunha, cearense, frasista, cronista da história política do país, titular da coluna Visto, Lido e Ouvido, publicada no Correio Braziliense. Também estou falando de um amigo. Ontem, ele fez 90 anos e eu tenho o privilégio de conviver com ele mais de perto nos últimos 15 anos. É uma lição atrás da outra.

    A risada, a galhardia, a gentileza, o conhecimento sobre Brasília, as figuras da cidade, o amor pelo Nordeste, o jeito de tocar um jornal que nasceu com a cidade. Tudo isso eu tive a sorte de absorver nas longas, produtivas e divertidas conversas. Discutimos também, até sobre machismo, às vezes de forma acalorada, o que só melhorou nossa convivência. Nosso repertório particular soa como trilha sonora de uma amizade leal e cheia de ensinamentos. Levarei sempre comigo.

    Ari Cunha, que nasceu José de Arimathéa Gomes Cunha em 22 de julho de 1927, na cidade cearense de Mondubim, saiu do Nordeste rumo ao Rio de Janeiro em 1948. Ali, desbravou o mundo da notícia, especialmente a crônica política brasileira. Trabalhou com Carlos Lacerda, Joel Silveira, Heráclito Sales, Paula Job, Prudente de Moraes Neto, Etiene Arregui Filho, Irineu Sousa e outros destacados jornalistas da época. Até que veio desbravar Brasília.

    Cumprindo a promessa de Assis Chateaubriand a Juscelino Kubitschek de trazer os Diários Associados para Brasília, na inauguração da cidade, Ari veio escolher o terreno e acompanhar a instalação do Correio e da TV Brasília. Morou em um acampamento de madeira. Viu de perto cada tijolo do edifício que abrigaria as redações dos dois veículos de comunicação ser colocado. Na parede da sala dele está uma foto histórica no terreno. Ari é pioneiro de Brasília e deste jornal.

    Com suas críticas afiadas, incomodou muita gente. “Era um incitador; hoje, sou um bombeiro”, passou a dizer depois dos 80 anos. Mas continua fazendo da sátira sua melhor ferramenta para enfrentar a vida, seus dissabores e até seus desafetos, que hoje já nem importam. Certa vez, disse-me sobre um deles: “Esse moço não tem entranhas. Ande com ele, mas não coma a lavagem desse porco”.

    Levei a ferro e fogo boa parte dos seus conselhos porque, se há uma coisa que Ari Cunha conhece, é gente. Sabe esquadrinhar o sujeito, suas nuances e entrelinhas. É perspicaz e astucioso na observação do ser humano. Esperta que sou, escolhi ficar sempre por perto dele para aprender também. Para mim, Ari é e será sempre um mestre.

    (*) Ana Dubeux – Editora Chefe do Correio Braziliense – Foto: Facebook

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