Carlos Chagas
Confirma-se,
por mais uma etapa da Operação Lava Jato, a extensão da roubalheira que assola
o governo. Agora são a Caixa Econômica e o ministério da Saúde acusados de
manipular contratos de falsa prestação de serviços em benefício de deputados e
empresas afins. Dentro de pouco tempo não sobrará mais nenhuma instituição
pública que não tenha sido atingida pela corrupção. Do mensalão ao petrolão, às
hidrelétricas, ferrovias, rodovias, refinarias e demais atividades do poder
público, a sujeira é uma só. Sem esquecer a Receita Federal. Dilma não sabia de
nada. Nem o Lula, antes.
Vamos
confiar em que não sabiam mesmo. De que planeta, então, governavam o país? Com
que auxiliares trabalhavam, não se podendo omitir a participação de muitos
deles na lambança?
Não dá
para imaginar que continuaremos assim por mais quatro anos, com a Polícia
Federal diariamente elucidando malfeitos e prendendo malfeitores de alta e de
baixa estirpe. Incrustados no governo, é grande o número de políticos e de
empresários que já estão e mais irão parar na cadeia. Louve-se a ação de
policiais, procuradores e juízes encarregados de investigar e punir, mas as
indagações vão mais fundo: como tudo pode acontecer nessas proporções
olímpicas? A quem debitar a responsabilidade maior? Fazer o quê?
Esperar
as eleições gerais de 2018, positivamente, não é solução. Antecipá-las será
inconstitucional, além de perigoso. Acreditar que da noite para o dia bandidos
se transformem em anjos, também não. Quem quiser que opine, mas por muito menos
Fernando Collor foi defenestrado.
ARMAÇÃO ÓBVIA
Deve
acautelar-se o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, porque são coincidências
demais acontecendo. Em São Paulo, Porto Alegre, Curitiba, João Pessoa e Natal,
nos trabalhos da Câmara Itinerante, ele foi recebido por grupos de arruaceiros
empenhados em impedir suas palavras. É coisa organizada, mudando apenas os
personagens.