Vista panorâmica da cidade: uma cidade em que a qualidade de vida é
marcante - Cidade completa 58 anos e moradores relatam a satisfação de viver
numa região cheia de amigos e muita energia - (Foto: Breno Fortes)
*Por » Renata Rusky
Criado em 1959 e destinado a abrigar servidores
públicos transferidos do Rio de Janeiro para a nova capital brasileira, o
Cruzeiro comemora, hoje, seus 58 anos. Quem mora na região percebe que ela é
diferente de quase tudo em Brasília. Os moradores dizem que o local tem “cara
de cidade de interior”. As construções geminadas, as praças, os parques para
crianças e as quadras promovem um convívio maior com os vizinhos.
José Sebastião, 82 anos, e a mulher, Perpétua, 77,
comerciantes da Feira Permanente do Cruzeiro, estão em Brasília há 45 anos.
Desde que chegaram, moram no Cruzeiro. Primeiro, de aluguel, no Cruzeiro Novo,
até que, há 13 anos, compraram uma casa no Cruzeiro Velho. “Por feição, eu
conheço todo mundo aqui, mais de mil pessoas. Tem gente que vem à feira todos
os dias, tem quem vem toda a semana”, conta. Na banca composta por uma
diversidade enorme de farinhas e de grãos, Perpétua oferece café a todos os
clientes.
Há poucos anos na capital, o casal Neidemara
Felipini, 41, assessora parlamentar, e Igor Gonçalves, servidor público, tem
certeza que escolheram o melhor lugar para viver. Estão aqui há cerca de três
anos. Ele veio antes, por conta do emprego, e ela, alguns meses depois, com os
dois filhos, Guilherme e Gustavo. “No trabalho, indicaram-me aqui como um lugar
bom para morar: perto, sem trânsito, mais barato”, ele conta.
De acordo com Neidemara, a mudança foi
interessante: “Como não somos daqui, não estamos acostumados com essa ideia de
cidade planejada, e o Cruzeiro não parece nada com isso. Parece um bairro”, ela
avalia.
Para as crianças, a mudança também foi boa. Há
parques e os meninos fazem atividades físicas no Ginásio do Cruzeiro por preços
bem mais em conta que outros estabelecimentos do Plano Piloto. Além disso, a
escola é perto de casa e a família se sente segura para ir caminhando todo dia.
Sobre segurança, o sapateiro Manoel Messias, 60,
também fez questão de falar: “Aqui eu saio a hora que quero, bebo a hora que
quero. Se eu dormir na praça, acordo do mesmo jeito”, brinca. Segundo ele,
comparado à cidade onde morava antes, a Ceilândia, a vida é bem melhor. Ele
conta que, ali, todo mundo se cumprimenta e fala um com o outro e ressalta que
tem todo tipo de gente, da mais pobre à mais rica.
José Sebastião e Perpétua têm uma banca na Feira Permanente:
tranquilidade e boa freguesia -
Neidemara, Igor e os filhos: o melhor lugar para se morar - A praça de cartas
Todo dia, senhores aposentados se reúnem na praça
da quadra 10 para jogar xadrez, damas, cartas e beber cerveja. Com mesas e
bancos, de vez em quando, eles também fazem churrascos à noite.
Cleômenis
e Luiz Carlos (D): passando o tempo num joguinho de baralho
Cleômines
Patrício, 76, conta que comprou a banca de revista dali quando se aposentou, há
26 anos. Depois disso, ele e um grupo de quase 100 pessoas fizeram um
abaixo-assinado para que a pequena praça fosse construída. “Treze já morreram.
Todo mundo ficando velho, mas ninguém por aqui se considera idoso não”, brinca.
Segundo ele, a praça é frequentada por ex-delegados, funcionários públicos e
também gente com menos dinheiro.
Até os jovens aparecem por ali. O local é opção de
lazer para Adriano Vieira, 21, maranhense que chegou à capital há cinco meses.
Ele, então, levou Andrei Dias, 20, paraense que está aqui há três meses e que
conheceu no trabalho, uma padaria ali perto. Foram bem acolhidos pelos novos
vizinhos. “Somos aprendizes. Estamos nos aperfeiçoando para poder enfrentar os
mais velhos nas cartas. Eles ensinam bastante”, conta Adriano.
Aruc, patrimônio de todo brasiliense
Samba e futebol: a Aruc mantém a tradição carioca no quadradinho do
Distrito Federal
A Associação Recreativa Unidos do Cruzeiro (Aruc)
trouxe o samba à capital e coleciona títulos e histórias. Ela é a única
agremiação no Brasil a ser octacampeã, superando até a madrinha Portela, que
ganhou sete vezes na década de 1940. Com saudade das rodas de samba, das
escolas do coração e dos blocos de rua do Rio de Janeiro, os primeiros batuques
começaram na antiga Quadra 16, casa 3, do então Bairro do Gavião, reduto de
cariocas transferidos da antiga para a nova capital. Era a casa de dona Ivone
Araújo, primeira moradora do bairro.
Mas, hoje, ela é mais que isso. Embora haja
críticas e necessidade de reformas, o espaço é também do esporte. O Beach
Soccer Brasília passou as últimas duas semanas treinando para um campeonato no
Rio de Janeiro. “É a forma que temos de representar o Cruzeiro. Fazemos o
máximo para que crianças e jovens se envolvam com esporte para não se
envolverem com coisas erradas”, afirma Gildo Seixas, treinador do time Beach
Soccer Brasília e um dos sócios da Aruc.
(*) Renata Rusky – Fotos: Breno Fortes/CB/D.A.Press -
Ed Alves/CB/D.A.Press - - Correio Braziliense

Muito bom!
ResponderExcluirMoro aqui a 37 anos e gosto muito. Perto de tudo. Depois da chegada dos mercados valorizou muito a região!