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quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

SUSTENTABILIDADE » Com a mão na massa


Atrizes vieram conhecer de perto o projeto de construção do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto

Grupo de artistas formado por Paula Lavigne, Alinne Moraes, Paula Burlamaqui, Maria Paula e Sônia Braga ajuda a construir casa sustentável no condomínio Sol Nascente. Ação quer dar visibilidade ao MTST

*Por » Nahima Maciel

A empresária Paula Lavigne e as atrizes Alinne Moraes, Paula Burlamaqui, Maria Paula e Sônia Braga, além do músico Criolo, estiveram ontem no condomínio Sol Nascente para conhecer o projeto do Movimento dos Trabalhadores Sem- Teto (MTST) na maior favela de Brasília. Localizado a 30 quilômetros da capital, o Sol Nascente tem hoje cerca de 95 mil habitantes, que vivem em condições precárias. No ano passado, em uma negociação com o governo do Distrito Federal, o MTST conseguiu terrenos para receber 109 famílias e a coordenação local do movimento pretende fazer do espaço um exemplo de moradia sustentável.

Este ano, foi entregue a primeira casa erguida com tecnologia de bioconstrução e permacultura. A unidade é a primeira casa própria de Alzerita Pereira de Siqueira, 55 anos, ex-vendedora ambulante, hoje desempregada, e foi construída com terra, areia, madeira e materiais sustentáveis. No ano passado, a atriz Maria Paula ajudou a organizar um crowdfunding para a construção da residência, que saiu por R$ 13 mil.

Paula Lavigne já havia organizado encontros com membros do MTST em São Paulo. Desta vez, depois de reuniões eu sua casa, no Rio de Janeiro, o grupo de artistas decidiu visitar o Sol Nascente. “Não adianta ficar na Vieira Souto postando coisas”, diz a empresária. “O que me trouxe aqui foi a questão da bioconstrução. Eu era superignorante. O MTST está muito à frente de todo mundo. Uma casa de R$ 80 mil que pode sair por R$ 15 mil e não agride o meio ambiente é o futuro.”

Paula apontou que é necessário haver uma regulamentação para esse tipo de construção e que isso só não acontece por causa do lobby da construção civil. A atriz e empresária integra o movimento 342 Agora, formado por artistas cujo ponto em comum é representado pelo slogan “Fora Temer”. O apartamento de Paula virou uma espécie de QG do movimento.

Alinne Moraes (D), Paula Burlamaqui (C) e Sônia Braga (E) misturaram o barro com os pés e participaram da obra na maior favela de Brasília ,que tem cerca de 95 mil habitantes e fica a 30 quilômetros da capital
Durante a visita ao Sol Nascente, o cantor e compositor Criolo lembrou como foi difícil crescer em um barraco e, durante cerca de oito anos, dormir em casa de chão batido e não ter endereço certo. “Quem tem a vivência do que é morar numa casa que o teto é um pedaço de carcaça de fogão, de geladeira, pedaço de lona de caminhão, e a parede são pedaços de madeira que você vai conseguindo, é duro. Nasci nisso”, conta.

Para Alinne, que junto com o grupo pisou a terra molhada usada para fazer as paredes da futura secretaria do MTST no Sol Nascente, a experiência foi de aprendizado. “As pessoas têm uma ideia muito errada do que é o MTST, acham que vão sair invadindo qualquer lugar. Não é assim. Antes de falar, a gente tem que se colocar no lugar do outro. Como atriz é meu trabalho, por isso estou aqui”, garante.

Alinne participa das reuniões na casa de Paula Lavigne há pelo menos um ano e esteve no assentamento do movimento em São Bernardo do Campo, em outubro de 2017, quando a Justiça de São Paulo proibiu um show de Caetano Veloso no local. “Eles estão me recebendo para eu entender essa luta, que é constante e necessária. E quero ajudar para que tenham voz, porque eles não são escutados. Hoje, quero tentar dar visibilidade a uma causa completamente justa”, defende.

Sônia Braga também estava no grupo de artistas que foi a São Bernardo e era a mais empolgada na hora de pisar o barro e construir o muro. “Estamos aqui de aprendiz, aprendendo vários processos, não só dessa construção, mas de uma construção muito maior do que pode ser esse país”, garante. Questionada sobre o impacto da ação dos artistas na viabilização de construções sustentáveis na favela, Sônia disse que não tinha respostas: “Quem tem que responder é quem está vendo a gente aqui. Tem que ter uma resposta no coração. Agora, tem que ter coração”.

A intenção dos coordenadores do MTST no Distrito Federal é mostrar que é possível construir casas baratas e com padrões sustentáveis. “Como não temos recursos, criamos uma alternativa de como construir sem recursos e com qualidade. É um projeto sustentável de baixo custo”, explica Eduardo Borges, coordenador nacional do movimento e atuante em Brasília.

Financiamento coletivo
Iniciativa que tem como base o financiamento coletivo para viabilizar projetos e conquistar o apoio colaboradores para a sua realização.

"Tenho a vivência do que é morar numa casa que o teto é um pedaço de carcaça de fogão. Nasci nisso”
(Criolo, cantor)

"Não adianta ficar na Vieira Souto postando coisas. O que me trouxe aqui foi a questão da bioconstrução”
(Paula Lavigne, empresária)



(*) Nahima Maciel – Fotos: Carlos Vieira/CB/D.A.Press – Correio Braziliense


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