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Eleições 2018-DF: Como cada candidato enfrentará a crise hídrica - (IPTU Verde, reúso e educação)


Vista aérea da Barragem do Descoberto: setembro com melhor nível do reservatório nos últimos três anos

Como cada candidato enfrentará a crise hídricaConstrução de novos sistemas de captação, uso sustentável do recurso na lavoura e privatização de parte da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) são algumas das propostas dos concorrentes ao Palácio do Buriti

*Por Pedro Grigori

Três meses após o fim do racionamento no Distrito Federal, os reservatórios que abastecem a capital apresentam o maior volume para o período desde 2015. Apesar do resultado, especialistas alertam que a situação ainda não é confortável e que deixar o tema fora dos planos de governo pode levar a uma nova crise hídrica em menos de uma década. O Correio ouviu as propostas de combate à escassez do recurso dos 10 candidatos ao Palácio do Buriti, mas as soluções são divergentes. Entre as projetos estão a construção de novos sistemas de retirada de água, investimento no uso consciente pelo setor agrário e privatização de partes da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb).

Durante o mandato, a aposta de Rodrigo Rollemberg (PSB) no combate ao problema teve foco em obras de retirada de água. Em dois anos, o Executivo investiu quase sete vezes mais na construção de captações do que nos 15 anos anteriores, sem contar a cifra aplicada no sistema Corumbá IV, com previsão de conclusão para dezembro. Apenas dois candidatos ao GDF pretendem seguir os passos do governador e investir em novos sistemas: Eliana Pedrosa (Pros) e Ibaneis Rocha (MDB), que querem retirar recursos do Rio Maranhão.

O objetivo é melhorar o abastecimento da região norte do DF. A empreitada seria em parceria com Goiás, onde fica grande parte do manancial, seguindo o exemplo de Corumbá IV, que passou por diversas paralisações e ainda não foi entregue, mesmo 15 anos após a conclusão do projeto inicial. Especialista em recursos hídricos da Universidade de Brasília (UnB), Sérgio Koide alerta, no entanto, que o rio não abriga grande quantidade de água por estar próximo à nascente. “É uma possibilidade para complementar o abastecimento da região, mas ainda é necessário estudo completo sobre a viabilidade”, disse.

Koide alerta que a obra de captação prioritária deve ser a do Lago Paranoá. Em 2005, após atrasos na conclusão de Corumbá IV, a Caesb conseguiu autorização para retirar água do espelho d’água. Uma obra de urgência foi concluída no ano passado e capta cerca de 700 litros por segundo (l/s) por meio de um flutuante instalado no Lago Norte, mas o projeto original autorizado há mais de uma década permite captação de até 2,5 mil l/s. Essa obra está orçada em R$ 500 milhões, 10 vezes mais do que o gasto no sistema emergencial.

A captação definitiva do Lago Paranoá não aparece entre as propostas dos candidatos ouvidos pela reportagem. Mesmo Rollemberg, que afirmou durante a crise hídrica buscar parcerias para viabilizar a construção, adiantou que esse não é um projeto prioritário, tendo em vista o alívio hídrico viabilizado pela entrega de Corumbá IV.

Preservação
O ecossociólogo Eugênio Giovenardi explica que, mundialmente, enfrenta-se um momento crítico de escassez hídrica. “No DF, dependemos exclusivamente da irregularidade da chuva. Apenas em dois dias desta semana choveu mais do que em todo mês de setembro do ano passado. Por isso, não podemos pensar só no hoje. São necessários programas a longo prazo”, ressaltou. Esse tipo de planejamento maior de Miragaya (PT), Fátima de Sousa (PSol) e Rollemberg estão ligados à conservação das áreas de nascentes e ao incentivo ao uso consciente da água pelos pequenos agricultores.

O candidato do PT ao GDF destaca que a destinação principal da água no DF é para a agricultura. “Há formas de irrigação por gotejamento, por exemplo, que consomem menos. Vamos facilitar o acesso a esse material por meio de linha de financiamento para a agricultura familiar”, explica. Rollemberg quer implantar o programa Produtor de Água, no qual há remuneração a quem presta serviços ambientais. O governador também pretende investir em canais de passagem. “Vamos tubular 18km do Canal do Rodeador, em Brazlândia e, com isso, reduzir a infiltração e a evaporação, garantindo que um volume maior de água chegue ao Rio Descoberto”, detalhou.

Fátima garante que a sustentabilidade terá muito espaço na agenda de governo. O objetivo é planejar e antecipar problemas, a fim de evitar um novo racionamento. “A resposta do Rollemberg (rodízio de cortes) caiu sobre os pobres. Eu moro no condomínio Ilhas do Lago (Asa Norte) e nunca fiquei sem água”. A candidata esteve na Serrinha do Paranoá no começo do mês, onde, acompanhada de Miragaya, Alexandre Guerra (Novo) e Paulo Chagas (PRP), assinou uma carta de compromisso de preservação da região, que abriga mais de 100 nascentes.

IPTU Verde, reúso e educação
Alberto Fraga (DEM) e Alexandre Guerra apostam no fortalecimento da Caesb. O que difere das propostas deles é o modo de fazer isso. Fraga quer manter a companhia como empresa pública, enquanto o candidato do Partido Novo pretende abrir parte da estatal para capitalização pelo setor privado. “Vai impactar mais recursos para necessárias obras de captação”, defendeu Guerra, que alerta não se tratar de uma privatização total, mas de vender apenas partes da empresa.

O especialista Sérgio Koide é contrário à abertura da Caesb ao setor privado. “Nas últimas décadas, países desenvolvidos passaram a privatizar o setor de saneamento urbano, mas o resultado não foi positivo, com sucateamento e aumento no valor do produto. Por isso, mundialmente, o setor passa por uma desprivatização”, analisou.

A principal proposta de Rogério Rosso (PSD) para a pauta da sustentabilidade é o IPTU Verde, projeto que segue modelo de cidades como Salvador, Curitiba e Rio de Janeiro. O objetivo é dar desconto no imposto a empreendimentos residenciais ou comerciais que investirem em iniciativas sustentáveis, como captação da chuva, reutilização de água cinza (de uso doméstico) e energias renováveis, como a fotovoltaica. “É o meu compromisso tanto para empreendimentos novos quanto para atuais. Temos chuva plena em cerca de quatro meses no DF. É um desperdício não utilizar essa água”, avaliou Rosso.

Eliana Pedrosa quer elaborar o Plano Distrital de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca no DF. A candidata do Pros pretende também investir na educação, incentivando projetos que integrem escola com os órgãos públicos para desenvolver trabalhos práticos de tratamento de água e saneamento básico.

Saneamento básico
Para Paulo Chagas, é preciso investir em reúso. “Os lava a jato deveriam ter um sistema de reaproveitamento, com as pessoas limpando a água suja e reaproveitando”, defendeu. Ibaneis quer investir no combate às perdas da Caesb. “Hoje, elas atingiram o vergonhoso índice de 30% do volume total da água captada e tratada. Da mesma forma, é preciso investir na automação das redes e nos sistemas de distribuição para buscar a melhoria do atendimento”, detalhou.

Guillen (PSTU) tem como principal bandeira impedir a privatização de estatais responsáveis por tratamento de água e saneamento básico. É previsto também no plano de governo do professor a valorização do Instituto Brasília Ambiental (Ibram) por meio do aumento de recursos e contratação de servidores.

“Não podemos pensar só no hoje. São necessários programas a longo prazo - (Eugênio Giovenardi, ecossociólogo)




(*) Pedro Grigori – Foto: Breno Fortes/CB/D.A.Press – Correio Braziliense






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