test banner

À QUEIMA-ROUPA: Valdir Oliveira, Superintendente regional do Sebrae/DF

Valdir Oliveira Superintendente regional do Sebrae/DF

“Essa crise fará despertar o lado humano e trará uma reflexão sobre valores que estão esquecidos”

Pequenas e microempresas vão sobreviver ao coronavírus? Muitas não. Já estão indo a óbito como seres humanos acometidos por esse inimigo oculto em forma de vírus. Para nossas empresas, o governo federal demora com as medidas, acelerando a tragédia, do óbito empresarial sem que essas empresas tenham direito à tentativa de recuperação, levando consigo os empregos e a vida de famílias que dependem desse pequeno negócio. Sem uma atuação urgente do governo federal, teremos uma carnificina empresarial que deixará um rastro de desemprego e sequelas sociais irreversíveis para nossa sociedade.

Os países que conseguiram controlar a pandemia foram rigorosos no isolamento social. Como compatibilizar essa medida com a saúde do setor produtivo? Não podemos cair na armadilha da guerra entre a vida e a economia. Essa disputa não existe e jamais deveria ser incentivada. A compreensão das medidas e das consequências desse vírus deve ser conduzida pela ciência. A medicina deve orientar as decisões de proteção à vida. A economia precisará de ações que minimizem os efeitos dessas medidas. Precisamos de liquidez para as empresas e para as pessoas. Garantir um subsídio, seja em forma de crédito ou de subvenção, mas só a injeção de recursos salvará a economia. Essa medida de liquidez que o governo federal precisa implementar tem que ser simples e urgente, sob pena de termos o remédio e perdermos o paciente por incompetência daqueles que são os responsáveis pela administração da medicação.

Se não é possível abrir as portas, qual é a demanda desse setor? Recursos financeiros. Dinheiro na mão das pessoas e das empresas. O governo federal demorou a compreender a crise e suas consequências e está demorando na implementação das ações necessárias para o socorro das pessoas e das empresas. Está na hora do liberalismo dar lugar à intervenção do Estado no socorro das pessoas e das empresas. As soluções não são de mercado. As soluções para essa crise são sociais e precisam de urgência em suas implementações. Para as empresas que têm capital e patrimônio, uma reengenharia financeira trará o financiamento de seu custo fixo, mas as empresas pequenas, que formam a esmagadora maioria do conjunto empresarial, que não possuem capital nem patrimônio, precisarão de subvenção, uma política de renda mínima empresarial, que garantirá a sua sobrevivência nesse momento de portas fechadas.

Acha que o DF corre o risco de não honrar os salários dos servidores pela queda na arrecadação? O GDF tem conduzido a crise de forma exemplar. O governador Ibaneis não tem politizado a crise, tem conduzido suas ações de forma cirúrgica, priorizando a proteção à vida das pessoas, ouvindo o setor produtivo em suas demandas. Mas é impossível que o impacto na suspensão da atividade econômica não reflita na queda da arrecadação tributária. Precisamos torcer para que a crise na saúde seja logo controlada, para que a vida retome a normalidade e que isso possa evitar interrupções de pagamentos de salários de servidores e outras despesas do governo. O importante é entendermos que não pode existir disputa entre a vida e a economia. Quanto mais cedo resolvermos o controle dessa pandemia, mais cedo retornaremos à vida e à atividade econômica. Acelerar medidas que atrapalhem o controle da pandemia significa atrasar a volta à atividade econômica e prejudicar ainda mais a proteção aos empregos e à sustentabilidade das empresas.

Acredita que o mundo nunca mais será o mesmo, como dizem algumas pessoas? Sem dúvida. O mundo passa por transformações profundas que refletem nas pessoas e no mercado. Hábitos pessoais e de consumo estão mudando e se consolidando e teremos uma nova vida quando tudo isso passar.

O senhor olha para o futuro com otimismo ou pessimismo? Com otimismo sempre. As mudanças trazem oportunidades de melhoria nas pessoas e nas empresas. Essa crise fará despertar o lado humano e trará uma reflexão sobre valores que estão esquecidos. A crise reforçará para uns e ensinará a outros que o melhor remédio é a solidariedade. E para as empresas, a transformação digital trará novas portas para o desenvolvimento de negócios, com possibilidade de crescimento e prosperidade para os que enxergarem esse novo mercado (nem tão novo assim) e se adaptarem às novas regras que ele ditará.

O que cabe a cada cidadão na superação dessa crise sanitária e econômica? Ser solidário, entender que ninguém pode viver sozinho com seus ideais e suas crenças. Compreender que ninguém é dono da verdade em nenhuma pauta, e que o ódio nunca foi e nunca será um bom conselheiro.

E aos governos? Proteger a vida das pessoas. Governo que não protege o cidadão não serve para ser governo.
Ana Maria Campos – Coluna “Eixo Capital” Correio Braziliense




Postar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem