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  • sexta-feira, 7 de outubro de 2016

    #OPERAÇÃO MISTER HYDE » Máfia das próteses agia no Hospital Daher - (A segunda fase da ação cumpriu mandados em uma das unidades de saúde mais famosas do Distrito Federal. Os investigadores também prenderam o dono, o cirurgião plástico José Carlos Daher, por porte ilegal de arma)

    A segunda fase da ação cumpriu mandados em uma das unidades de saúde mais famosas do Distrito Federal. Os investigadores também prenderam o dono, o cirurgião plástico José Carlos Daher, por porte ilegal de arma
    O esquema de fraudes em cirurgias articulado por médicos e empresários de órteses e próteses revelado pela Operação Mister Hyde teve novo revés com a deflagração da segunda fase da investigação. Entre os alvos, está o cirurgião plástico José Carlos Daher e o Hospital Daher, no Lago Sul. Na tarde de ontem, o médico acabou preso por porte ilegal de arma de uso restrito, durante busca e apreensão na casa dele, na QL 8 do Lago Sul. Pela manhã, 11 promotores e 20 policiais cumpriram sete mandados de condução coercitiva e cinco de busca e apreensão. Documentos obtidos pelo Correio mostra a negociação entre Daher e o empresário Johnny Wesley Gonçalves Martins, alvo da primeira parte da operação. O esquema pode ter movimentado R$ 30 milhões (leia Linha do tempo).

    As investigações da Promotoria de Justiça Criminal de Defesa dos Usuários de Serviços de Saúde (Pró-vida) apontam que Daher atuava diretamente nos pagamentos que envolviam órteses e próteses. Em um e-mail ao qual investigadores da Operação Mister Hyde tiveram acesso, o cirurgião plástico notifica os funcionários sobre um “novo acordo”. A correspondência eletrônica trocada em agosto de 2009 detalha a negociação. “Ele (Johnny Wesley) quer operar 50% de seus casos no nosso hospital, o que corresponde a três pacientes por mês”, escreveu Daher. O neurocirurgião Johny Wesley é sócio da TM Medical, empresa de insumos médicos acusada de liderar a fraude. Ele está preso.

    Denúncias de destruição de provas e formatação de computadores obrigaram o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e a Polícia Civil a adiantarem a operação. O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) será acionado por haver a suspeita de formação de cartel entre as fornecedoras dos materiais e o Hospital Daher. “As primeiras escutas telefônicas já levantavam suspeitas contra o hospital. Um dos médicos investigados na primeira fase havia dito que gostava de operar nesses dois hospitais (Daher e Home) porque recebia dobrado”, explica Maurício Miranda, promotor da Pró-vida.

    Os médicos envolvidos, além dos honorários, recebiam das unidades de saúde de 3,5% a 7% e mais quase 30% da distribuidora dos materiais. Mais de 100 pacientes teriam passado por procedimentos desnecessários ou com material vencido ou de baixa qualidade somente em 2016, segundo o MPDFT. Ontem, um consultório usado como sala de cirurgia clandestina foi interditado no anexo do Daher. A diferença entre o Home (alvo na primeira fase) e o Daher é que, no primeiro, quem atuava eram os funcionários. No segundo, notamos uma participação forte do dono no gerenciamento das transações ilegais”, acusou Maurício.

    Em correspondência obtida pelo Correio, Daher orienta os funcionários a não receberem “em hipótese nenhuma” pacientes que chegassem para atendimento com ordem judicial vindos de processos da Secretaria de Saúde. Ele reclama de o hospital não ser pago por esse tipo de internação. “Em nenhuma hipótese, devemos internar qualquer mandado. Os leitos vazios devem permanecer desativados. Os aparelhos devem ser guardados e deve-se criar uma placa a ser pendurada: ‘Leito em manutenção’”, destaca trecho do texto enviado por Daher, em fevereiro de 2011. “Jamais internar mandado. Haja o que houver”, frisa.

    Cinco funcionários do Hospital Daher prestaram depoimento coercitivamente: Maria de Lourdes da Silva Pinto; superintendente da unidade médica; Wirliane Pires da Silva, chefe do Departamento Financeiro; José Wilson do Bonfim Lopes, médico responsável técnico do Daher; Patrícia Bezerra Mendes, também do Departamento Financeiro; e Marco Aurélio Silva Costa, diretor comercial. Ana Maria Monteiro Machado, ex-funcionária, não foi encontrada na operação desta quinta.

    Outros suspeitos
    Na capital federal, segundo o titular da Delegacia de Combate ao Crime Organizado (Deco), Luiz Henrique Sampaio, o preço de órteses e próteses é de 800% a 1.000% maior do que no restante do país. “A concorrência era entre três empresas. Uma entrava para ganhar e outras duas sabendo que perderiam”, detalha. Participam do esquema mais unidades de saúde, empresas e médicos, mas, para não atrapalhar as investigações, a Polícia Civil e o MPDFT não divulgaram nomes. “Outros hospitais vão ser alvos de investigação”, adianta o Miranda.

    A Polícia Civil chegou ao Hospital Daher após analisar trocas de e-mails e extratos de pagamento entre a MT Medical e a unidade médica. O MPDFT suspeita que a deflagração da Mister Hyde, em 1º setembro, não coibiu a prática irregular, e médicos continuaram a realizar os procedimentos desnecessários. “Estamos trabalhando para comprovar se houve cirurgias neste período”, adiantou o promotor.

    Em nota, o Hospital Daher negou envolvimento no esquema e garantiu colaborar com as investigações. “Não fomos avisados ou comunicados do teor da visita e estamos colaborando ativamente com as solicitações realizadas”, detalha o texto. A Secretaria de Saúde não comentou o caso.

    Perfil - Mago do nariz e da face

    Discípulo do cirurgião Ivo Pitanguy, o médico José Carlos Daher, 71 anos, ficou conhecido pelos procedimentos na face, sobretudo as rinoplastias. Formado pela extinta Faculdade de Medicina da Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro, ele criou e chefiou o Serviço de Cirurgia Plástica do Hospital das Forças Armadas entre 1972 e 1982. Em 1979, ele fundou o Hospital Daher, no Lago Sul, e, desde então, passou a liderar o ramo na capital federal. Desde 2012, Daher era presidente do Sindicato Brasiliense de Hospitais, Casas de Saúde e Clínicas (SBH). Deixou o cargo há dois meses. O médico é membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e publicou diversos trabalhos no Brasil e no exterior sobre cirurgia plástica.

    Linha do tempo - 2016

    Março
    As apurações começam após uma paciente denunciar que, ao fazer uma cirurgia na coluna, um arame de 50 cm foi deixado na jugular dela.

    1º de setembro
    A Operação Mister Hyde da Polícia Civil é resultado de investigação iniciada em parceria com o MP. Doze pessoas são presas na primeira fase. Entre os detidos, há sete médicos e cinco empresários e funcionários de hospitais. Também são cumpridos 22 mandados de busca e apreensão e quatro conduções coercitivas. A apuração evidencia casos em que cirurgias eram sabotadas pelos médicos para que o paciente necessitasse de novos procedimentos, o que geraria lucro para o esquema.

    2 de setembro
    Quinze pacientes se apresentam como mais vítimas do mesmo grupo. As buscas continuam no Hospital Home (613 Sul). A Polícia Civil recolhe, no fim da tarde, documentos e computadores para complementar as investigações. À noite, cinco dos sete médicos envolvidos no esquema da máfia das próteses no DF ganham a liberdade provisória.

    6 de setembro
    O superfaturamento de equipamentos, a realização de cirurgias sem necessidade e o uso de produtos vencidos são confirmados em escutas telefônicas.

    9 de setembro
    As investigações sobre a Máfia das Próteses chegam aos planos de saúde. Um dos focos será descobrir como ocorreram as irregularidades dentro das operadoras, inclusive com a suspeita de participação de funcionários das empresas. Esses grupos podem ter pagado, por cirurgias, até três vezes mais do que os valores de mercado.

    21 de setembro
    O MP encaminha à 2ª Vara Criminal de Brasília a primeira denúncia contra os envolvidos.

    23 de setembro
    O Juiz da 2ª Vara Criminal de Brasília aceita denúncia contra 17 acusados.


    Fonte: Otávio Augusto – Fotos: Ed Alves/CB/D.A.Press – Antonio Cunha/CB/D.A.Press – Correio Braziliense 

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